Após o impeachment e a queda de Cunha, como ficamos? Vá aos búzios

    Dois fatos que sugaram as atenções nacionais e botaram o Brasil para sangrar, no último ano e meio

    Frase da vez

    “O ontem do homem talvez jamais seja como o seu amanhã: nada perdura, a não ser a instabilidade”

    Percy Bysshe Shelley, poeta inglês (1792-1822)

    (Foto: Divulgação).
    (Foto: Divulgação).

     

    Após o impeachment de Dilma e a cassação de Eduardo Cunha, dois fatos que sugaram as atenções nacionais e botaram o Brasil para sangrar, no último ano e meio, vamos achar o mapa do caminho? A resposta é com os búzios, mas os sinais não são bons. Veja as interrogações que povoam o nosso futuro:

    1 —Temer não tem popularidade e ainda vai ter que tomar medidas impopulares. Até que ponto isso vai vitaminar o “Fora Temer”?

    2 — As medidas que ele anuncia, como reforma da Previdência, reforma trabalhista, privatizações, são suficientes?

    3 — Cunha diz que não vai delatar (e explodir o Congresso), mas muitos já disseram isso e acabaram cedendo. Ele aguenta?

    4 — E a Lava Jato, que ainda não acabou, embora muitos queiram que ela acabe, vai chegar até onde?

    Em suma, o legado do impeachment inclui um oceano de incertezas.

    Estreia virtual

    O tempo em que todos atacam todos pelas redes sociais e ninguém se responsabiliza parece estar chegando ao fim. O juiz José Carlos Rodrigues do Nascimento, de Juazeiro, determinou ontem a retirada em duas horas de postagens (textos e vídeos) do site Blog Bocão do Vale, repicadas no Face e no Youtube, ofensivas contra o prefeito Isaac Carvalho e o candidato por ele apoiado, Paulo Bonfim, ambos do PCdoB.

    O detalhe da história: é a primeira vez que isso acontece na Bahia em uma campanha eleitoral envolvendo o Face e o Youtube.

    O advogado do caso, foi Luiz Viana Queiroz (também presidente da OAB-Ba).

    (Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados).
    (Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados).

     

    O defensor de Juca

    Fervoroso defensor da fracassada tentativa de emplacar Juca Ferreira (ex-ministro da Cultura) como candidato a prefeito de Salvador pelo PT, o deputado Jorge Solla (PT) tornou-se ontem o único baiano a integrar a CPI da Lei Rouanet e já tem um foco bastante definido: defender Juca.

    A Operação Boca Livre, da PF, verificou fraudes de R$ 180 milhões na Rouanet concedidos a grupos corporativos, shows com artistas famosos em festas privadas para grandes empresas, livros institucionais e até mesmo uma festa de casamento.

    Boca livre

    Solla diz que a investigação é necessária, e ressalva:

    — Usaram a Lei Rouanet para atacar os artistas que se posicionaram contra o golpe. O juiz Moro foi fuçar e descobriu que nenhum recebeu incentivo algum. Na verdade, os beneficiários são a Rede Globo, que levou mais de R$ 7,5 milhões, e fundações ligadas a bancos. Aí, de repente, essa investigação deixou de interessar, foi engavetada.

    Quase infeliz

    O empréstimo de US$ 11,5 que o prefeito de Alagoinhas, Paulo César (PDT), tanto tentou viabilizar no Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), só agora, já no fim do mandato, se viabiliza, com uma força da senadora Lídice da Matta (PSB). O prazo venceu em maio e ontem o plenário do Senado aprovou a reabertura dele.

    Ou seja, a bolada ficará para o sucessor de Paulo César, que ele quer que seja a ex-deputada Sonia Fontes (PSB). Ela duela com Joaquim Neto e Joseildo Ramos.

    Futuro venturoso

    O triplo lançamento triplo de livros que os escritores Ruy Espinheira Filho e Carlos Barbosa farão amanhã (a partir das 17h) num restaurante da Ceasinha do Rio Vermelho pode estar inaugurando um tempo novo nos lançamentos literários de Salvador.

    O xis da questão: as livrarias Cultura e Saraiva dos shoppings da capital baiana cobram 50% do preço de capa só para ceder o espaço, enquanto na Ceasinha, local de grande fluxo popular, é tudo 0800.

    A premonição de que o local tem futuro venturoso nesse campo é de Florisvaldo Mattos, jornalista e também escritor.

    Na imagem, Gustavo Salles á esquerda, o prefeito de Salvador ACM Neto no centro, e o ex-vereador Silvoney Sales (Foto: Divulgação/PSC).
    Na imagem, Gustavo Salles á esquerda, o prefeito de Salvador ACM Neto no centro, e o ex-vereador Silvoney Sales (Foto: Divulgação/PSC).

     

    Aposta filantrópica

    Gustavo Sales (PSL), filho do ex-vereador Silvoney Sales, candidato a vereador em Salvador, foi no Cartório do 2º Ofício e registrou uma Declaração Pública: se ganhar, vai doar metade do vencimento para instituições filantrópicas.

    Diz ser primeiro e único. Se colar.

    Campo novo

    Cinco anos após ter pendurado as chuteiras, Marcelo Ramos, ex-jogador do Bahia, está tentando jogar noutro campo, o da política. É candidato a vereador em Salvador pelo PSB.

    Em Minas, jogou pelo Cruzeiro e tem mais popularidade lá do que cá. Mas prefere a terra dele, que é cá.

    Festa francesa

    Dois escritores da língua francesa vão agitar a Aliança Francesa de Salvador. Hoje (18h30), a escritora francesa Nargesse Bibimoune fará bate-papo sobre as questões humanitárias. E sexta (18h30), o escritor e jornalista suíço Jean-Jacques Fontaine lança o livro “Rio de Janeiro e os jogos olímpicos, uma cidade reinventada”.