Publicado em 30/07/2026 às 14h43.

Vitória pode sofrer multa de até R$ 250 mil por protestos

Com expulsão por gesto contra arbitragem e críticas da diretoria, clube baiano aguarda possíveis denúncias no tribunal

Juliano Franca
Luan Cândido fazendo o gesto de “roubo” que levou á sua expulsão. Foto: Reprodução/GETV

 

A goleada por 4 a 0 sofrida diante do Palmeiras, na última quarta-feira (29), ameaça trazer complicações ao Vitória além das quatro linhas. Além da expulsão inédita do lateral Luan Cândido, punido após a aplicação do novo protocolo antirroubo da CBF, as reações do clube contra a arbitragem podem desencadear uma nova denúncia no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

O clima de revolta ganhou força ainda no primeiro tempo. O árbitro Alex Gomes Stefano optou por manter apenas o cartão amarelo para o meia Maurício, em lance que causou um corte no queixo do zagueiro Cacá. Pouco depois, o próprio Cacá acabou expulso após checagem no VAR. Na sequência da jogada, Luan Cândido fez gestos insinuando “roubo”, o que levou à sua expulsão direta conforme prevê a nova diretriz da CBF.

 

Protestos da diretoria e risco de punição

Após o apito final, a insatisfação se estendeu aos bastidores. O presidente Fábio Mota vetou as entrevistas de atletas e da comissão técnica, classificou a condução da partida como determinante para o resultado e confirmou o envio de uma representação formal à CBF, acompanhada de uma nota oficial de repúdio divulgada pelo clube.

A postura ostensiva pode custar caro. Caso a Procuradoria do STJD identifique infrações disciplinares nas declarações e condutas, tanto dirigentes quanto atletas poderão responder por ofensas e desrespeito à equipe de arbitragem, além das sanções previstas no protocolo recém-implementado, podendo chegar até R$ 250 mil em multas.

– Luan Cândido: pode responder por ofensa à arbitragem e conduta antidesportiva. A pena pode variar de 5 a 12 jogos de suspensão, além de multa entre R$ 100 e R$ 100 mil.

– Fábio Mota: pelas declarações públicas contra a arbitragem, pode ser enquadrado por ofensa à honra da equipe de arbitragem. A punição prevista é de 15 a 90 dias de suspensão, além de multa entre R$ 100 e R$ 100 mil.

– Vitória: o clube pode ser responsabilizado por manifestações oficiais e pelo descumprimento de obrigações de mídia, com multas financeiras que podem ultrapassar R$ 50 mil, além de outras sanções previstas pelo STJD.

Histórico recente de atritos com a CBF

Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

 

O novo capítulo de tensão ocorre menos de três meses após outro episódio polêmico no Barradão. Em maio, durante a partida contra o Coritiba, a torcida rubro-negra estendeu faixas críticas à CBF, fez gestos de protesto e virou as costas durante a execução do Hino Nacional. Os atos foram registrados em súmula e levaram o Vitória a ser denunciado no STJD com base no artigo 191 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Apesar de recorrer da decisão, o clube acabou punido em definitivo com multa de R$ 20 mil, sem perda de mando de campo ou outras sanções esportivas.

Agora, o Vitória volta a aguardar os desdobramentos jurídicos de um caso envolvendo críticas à arbitragem, desta vez após a derrota para o Palmeiras, que pode resultar em novas multas e punições para jogadores, dirigentes e para o próprio clube.

Juliano Franca
Graduando em jornalismo pela UFBA e estagiário do Bahia.BA. Feirense, fundador da Fute em Foco, crítico de cinema pelo Cine.Italo, cofundador do Daft.Cult e membro da Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA e da Liga de Cinema e Audiovisual.

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