Publicado em 30/07/2026 às 20h38.

Presidente da Fecomércio-BA repudia taxas dos EUA e cobra diplomacia comercial

Para o dirigente empresarial, as medidas têm motivação estritamente política

Otávio Queiroz / Gabriela Encinas
Foto: assessoria/ Fecomércio-BA

 

O presidente do Sistema Comércio Bahia (Fecomércio, Sesc e Senac), Kelsor Fernandes, demonstrou profunda preocupação com as recentes tarifas de importação aplicadas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Para o dirigente empresarial, as medidas têm motivação estritamente política, ignoram uma relação bilateral histórica e trazem impactos socioeconômicos negativos para ambos os países, incluindo o risco de inflação e desemprego.

Kelsor avaliou que o movimento unilateral de Washington tenta interferir na dinâmica política e no cenário eleitoral do Brasil, desrespeitando um histórico de mais de dois séculos de cooperação diplomática e comercial.

“A gente vê esses movimentos como uma vertente política que tem do Brasil para os Estados Unidos hoje. São coisas inexplicáveis, nada justifica essas tarifas que os Estados Unidos vêm aplicando ao Brasil”, pontuou o presidente da Fecomércio BA.

“Não pode alguém unilateralmente sair aplicando tarifas absurdas a um país amigo que tem relações de mais de 250 anos com os Estados Unidos. É coisa de política de governo, a coloração política no momento. Você vê que ele tenta de todas as formas interferir na política brasileira, nas eleições brasileiras”.

Impacto nas exportações

Ao detalhar os desdobramentos das taxas no setor produtivo, o empresário alertou que a barreira comercial deve desacelerar as vendas externas do Brasil até a consolidação de novos mercados compradores, pressionando os índices de emprego e inflação.

Além disso, Kelsor ressaltou que a medida penaliza diretamente os próprios cidadãos norte-americanos, que pagarão mais caro por itens essenciais importados do mercado brasileiro.

“A gente vê com muita preocupação porque isso vai impactar nas exportações, vai gerar desemprego, com absoluta certeza, até que o Brasil encontre novos parceiros, e vai gerar provavelmente inflação, tanto aqui quanto nos Estados Unidos”, alertou o dirigente.

“O presidente dos Estados Unidos está penalizando a própria população, porque a partir do momento em que os produtos encarecem, quem paga é a população. O consumidor americano vai ter que pagar, porque tem coisas que eles não podem deixar de importar”.

Defesa do diálogo

Apesar do cenário adverso, o presidente do Sistema Comércio defendeu a manutenção das vias diplomáticas e da negociação como prioridade. Contudo, Kelsor enfatizou que, caso as conversas institucionais não surtam efeito, o setor produtivo baiano apoiará o governo brasileiro na aplicação de mecanismos de reciprocidade previstos na legislação nacional.

“Nós temos sabedoria, vamos conseguir dialogar, dialogar, dialogar. E se no final não der, nós temos uma Lei de Reciprocidade que o país está autorizado pelo Congresso a aplicar”, defendeu Kelsor Fernandes.

“Nós não queremos fazer isso, nós queremos diálogo o tempo todo. O governo vai às últimas instâncias, mas se tiver que aplicar a reciprocidade, nós vamos autorizar e, com certeza, concordar com o governo na sua aplicação”.

Otávio Queiroz
Soteropolitano com experiência em comunicação e mídias digitais, incluindo rádio, revistas, sites e assessoria de imprensa. Aqui, eu falo sobre Justiça.

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