Novos prefeitos, entre a alegria da estreia e a crise do dinheiro curto

    Novos prefeitos vivem a lua de mel do poder, o momento entre a eleição e a posse, desgaste zero, tudo esperança. Mas uma lua de mel estragada pelo cenário sombrio

    Frase da vez

     “Quem quer constituir família procura casa e emprego e não os encontra. Os que trabalharam toda uma vida veem-se, no fim dela, condenados a morrer à míngua

    Francisco Sá Carneiro, ex-primeiro ministro português (1934-1980)

    Foto: Divulgação/UPB.
    Foto: Divulgação/UPB.

     

    A frase acima, dita em 1978, na Assembleia da República, o Congresso português pelo então primeiro-ministro Francisco de Sá Carneiro, bem poderia ter sido dita no Encontro de Prefeitos Baianos que se realiza na Vila Galé, em Guarajuba.

    Sá Carneiro previa a crise na Europa que viria a seguir. Morreu dois anos depois e não viu, mas previu. Duzentos e quatro dos 417 prefeitos baianos disputaram a reeleição, apenas 77 se reelegeram. Cento e vinte e sete, ou 73%, sucumbiram nas urnas, um recorde histórico e um aviso: o momento é ruim.

    O governador Rui Costa, ao falar ontem, deu o tom da reza:

    — É preciso uma saída para o Brasil. O cenário que se encontra não é de melhoria, portanto toda cautela é necessária para o início de governo. Dos 27 estados, apenas quatro pagam mensalmente em dia seus funcionários. Rio, Minas, Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte já decretaram estados de falência.

    Ricardo Moura (PMDB), prefeito eleito de Valença, diz estar consciente:

    — Nós sabemos que o momento requer cautela. É por isso que estamos aqui, tentando entender os melhores caminhos para atravessar a tempestade.

    Maria Quitéria (PSB), prefeita de Cardeal da Silva e presidente da UPB, diz que a vigilância tem que ser constante. Ela ensina que a melhor estratégia é ficar de olho nos balanços quadrimestrais:

    — A gente pode cortar prestadores de serviços, contratos… É muito sofrimento, porque é desemprego e isso traz infelicidade. Mas que jeito?

    Os novos prefeitos vivem a lua de mel do poder, o momento entre a eleição e a posse, desgaste zero, tudo esperança. Mas uma lua de mel estragada pelo cenário sombrio, o que traz preocupações.

    É esse o quadro.