Delação da Odebrecht espalha lama geral e bota políticos na defensiva

    A delação agora revelada pela revista Veja que circula traz o depoimento de Cláudio Melo Filho, que durante 12 anos foi diretor de Relações Institucionais da empresa

    Frase da vez

    “A corrupção não tem cores partidárias. Não é monopólio de agremiações políticas ou governos específicos. Combatê-la deve ser bandeira da esquerda e da direita”

    Sérgio Moro, juiz da Lava Jato

    Foto: Zeh Campos
    Foto: Zeh Campos

     

    Já se sabia, e muito se dizia, que a delação da Odebrecht ia jogar vatapá no ventilador e dela não sobraria pedra sobre pedra. Ou seja, a meleira iria atingir todos de todos os lados.

    Tem sido assim, mas convém lembrar: é só o primeiro round de uma longa série.  A delação agora revelada pela revista Veja que circula traz o depoimento de Cláudio Melo Filho, que durante 12 anos foi diretor de Relações Institucionais da empresa.

    Mas é apenas um. Outros 70 executivos da empreiteira, além de Marcelo Odebrecht, o presidente, que está preso em Curitiba, também estão delatando.

    De saída, diz que Michel Temer pegou R$ 10 milhões em 2014 através do amigo José Yunes, advogado. Inclui também ministros como Elizeu Padilha (Casa Civil), e assessores da ex-presidente Dilma Rousseff. Também citados foram Jaques Wagner, Geddel e por aí, gente de direita, de esquerda e o “escambau”. Isso demonstra o que se diz: a corrupção era sistêmica. Já tinha sido incorporada às regras do jogo.

    A resposta dos políticos é padrão: foram doações legais, todas declaradas à justiça. Não conta muito, porque no frigir dos ovos o povão entende, com razão, como todos sendo farinha do mesmo saco.

    Mas tecnicamente tem a ver com separar o joio do trigo, saber o que foi doação legal e o que foi propina em troca de favores específicos. É isso que pode selar o destino de alguns para Curitiba ou não.

    Bom esclarecer, nesse jogo não tem caridade, não há Irmã Dulce. Com doação legal ou no caixa 2, as empreiteiras pagavam para manter um jogo de cartas marcadas, em que as licitações eram só fachadas.

    De caixa um ou dois, o dinheiro sempre saia de obras superfaturadas. E é esse Brasil que parece ter acabado, pelo menos na escala em que estava.