Desigualdade no Brasil aumenta pela primeira vez em 22 anos

    Conforme estudo da FGV, além do aumento do desemprego, a inflação corroi a renda média do brasilieiro

    Foto: Wikipedia

    Mácula histórica do país, a desigualdade social voltou a crescer após 22 anos de estabilidade ou queda. Esse é o primeiro aumento desde a implantação do plano real e foi revelado pela análise do índice de Gini calculado pela FGV Social. O indicador — que varia de zero a um e que, quanto mais perto de zero estiver, mais igual é a sociedade — chegou a 0,5229 no ano passado, alta de 1,6% em relação ao ano anterior. Com o resultado, o Brasil voltou três anos no tempo e anulou a redução da desigualdade registrada em 2014 e 2015.

    “Além do aumento do desemprego, tem a inflação corroendo a renda média. O desemprego se tornou sério porque aumentou, mas também porque é de longa duração. A pessoa fica desempregada e demora a sair da situação”, avaliou ao O Globo, o diretor do FGV Social, Marcelo Neri.

    Ainda conforme o pesquisador, o aumento na desigualdade registrado no ano passado preocupa principalmente porque o bolo a ser dividido não só encolheu, mas murchou para os mais pobres.  Em 2015, apesar de o índice de Gini ter ficado estável, a renda dos 5% mais pobres já havia caído 14%, e a pobreza, aumentado 19,3%. O resultado de 2016 penaliza o grupo mais vulnerável novamente. Além do problema social, essa é uma péssima notícia para a economia, pois se os mais pobres estão perdem, as empresas vendem menos. A queda do consumo é mais forte quando a desigualdade aumenta.