O presidente do Centro Acadêmico Vladimir Herzog, representação estudantil da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Tobias Muniz, revelou detalhes da confusão envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL) durante uma visita ao campus da instituição.
Segundo informações obtidas pela reportagem, o parlamentar esteve no local após receber denúncias de supostos atos de depredação. A presença de Castro chamou a atenção dos estudantes e provocou uma discussão nas dependências da Faculdade de Comunicação.
À reportagem, Diego Castro afirmou que foi à universidade para retirar adesivos do governador Jerônimo Rodrigues (PT) ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas acabou surpreendido pela movimentação dos estudantes.
Após o episódio, Tobias Muniz apresentou a versão dos estudantes sobre o que ocorreu dentro da Facom. De acordo com o presidente do centro acadêmico, a confusão teria começado após uma discussão envolvendo o uso de um banheiro e uma publicação que teria conteúdo transfóbico.
“Para criar um conteúdo transfóbico, né? Porque o banheiro feminino tem a classificação: mulheres cis, trans, não binários. Nesse momento, eu encontro este estudante, eu repreendo ele, a transfobia dele, pergunto a ele se não tem algo melhor para fazer, porque a Universidade Federal é de alçada de deputados federais e governo federal. As universidades estaduais são as UNEBs e são as demais nos territórios”, relatou.
“Ele começa a me chamar de vagabundo, me desrespeitar, me xingar e de capanga. No momento que ele sobe e começa a me xingar, a me difamar, eu repreendendo ele, ele cria um tumulto quando ele sobe para o segundo andar para fazer mais zoada e movimentar os estudantes da Faculdade de Comunicação a saírem de suas aulas com um semestre recém-iniciado”, acrescentou.
O presidente do centro acadêmico disse que o diretor da Facom, professor Washington José de Souza Filho, também esteve no local para entender o que estava acontecendo.
“Nesse momento, o diretor da Faculdade de Comunicação sobe para entender o que está acontecendo e o deputado é desrespeitoso, não respeita um diretor legitimamente eleito por essa comunidade, um representante estudantil legitimamente eleito”, relatou.
Tobias afirmou ainda que houve agressões durante o episódio e que outros estudantes também teriam sido envolvidos na confusão.
“Nesse processo, ele agride o professor da Faculdade de Comunicação. E quando nós, estudantes, nos pautamos nesse espaço, os capangas dele, porque ele não anda só, nos atacam. Nesse momento, os estudantes da Faculdade de Comunicação se rebelam e expulsam esse deputado fascista, neoliberal, dessa faculdade”, declarou.
Centro acadêmico prepara medidas após confusão
Após o episódio, Tobias afirmou que o Centro Acadêmico Vladimir Herzog convocou uma assembleia estudantil extraordinária para discutir os próximos passos diante do ocorrido. Ainda segundo ele, o objetivo é adotar medidas para garantir a segurança dos estudantes e cobrar um posicionamento da universidade.
“A Universidade Federal da Bahia preza pela democracia, pela inclusão, pela diversidade. E nenhum deputado tem o poder de fazer o que ele fez aqui hoje: querer reprimir o movimento estudantil, os estudantes e a liberdade de expressão”, disse.
“Nós vamos prestar queixa sobre esse ocorrido, registrar boletim de ocorrência. Eu, assim como os demais estudantes, fomos agredidos. O centro acadêmico vai lançar uma nota de repúdio e vamos entrar em contato com a Faculdade de Comunicação, a direção, para emitir uma nota repudiando isso”, emendou.
Ainda segundo o presidente do centro acadêmico, a manifestação deverá ser articulada com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFBA e encaminhada à administração central da universidade.
“A partir disso, também vamos dialogar com a reitoria de Administração Central da Universidade Federal da Bahia para barrar esse tipo e se posicionar publicamente porque foi uma violência política que aconteceu aqui dentro”, afirmou.
Além de Tobias Muniz, outros estudantes teriam sido envolvidos nas agressões relatadas durante a confusão. O atual diretor da Facom, professor Washington José de Souza Filho, também teria sido agredido, segundo o presidente do centro acadêmico.

