Alinne Rosa revela lado vulnerável em novo projeto: ‘Longe da diva’

    Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, cantora fala sobre nova fase, relação com a Bahia e gravação de show intimista em Salvador

    Foto: Divulgação / Assessoria

    Inquieta, confiante e disposta a mostrar novas versões de si, Alinne Rosa se prepara para registrar mais um capítulo da carreira em Salvador. No dia 3 de setembro, a cantora grava o audiovisual de “Pergunte a Bahia Quem Sou”, no Teatro Sesc Casa do Comércio, em um formato que troca a grandiosidade dos trios elétricos pela proximidade com o público.

    Em entrevista exclusiva ao bahia.ba, a artista, natural de Itabuna, no sul da Bahia, contou o que acredita que o próprio estado responderia caso a pergunta que dá nome ao projeto fosse feita.

    “Responderia que é uma baiana retada! Que saiu de Itabuna para conquistar seus sonhos e segue dia após dia na batalha. Que tem orgulho da sua terra, do seu povo e de tudo que somos”, afirmou.

    Com mais de duas décadas de carreira, Alinne construiu sua trajetória transitando entre diferentes fases e sonoridades. Revelada nacionalmente à frente da banda Cheiro de Amor, em 2003, a cantora se consolidou como um dos nomes do Axé e acumulou sucessos que atravessaram carnavais, trios elétricos e grandes palcos pelo país.

    Alinne Rosa mostra lado vulnerável em novo projeto

    Em “Pergunte a Bahia Quem Sou”, no entanto, a proposta é outra. Com uma banda mais enxuta, Alinne mistura clássicos da MPB, músicas autorais, releituras da própria carreira e faixas inéditas do projeto We4Sessions. Mesmo com a experiência acumulada ao longo dos anos, ela admite que o público continua sendo o principal termômetro para definir os rumos do show.

    “Foi um grande teste ao longo dos shows da turnê. E a gente vai trazer coisa nova para a gravação também! O público sempre vai ser nosso termômetro, né? E não tem nada melhor do que esse retorno imediato”, explicou.

    Acostumada a comandar multidões no Carnaval, Alinne conta que o formato intimista também permitiu revelar uma faceta menos conhecida por quem acompanha apenas a personagem dos grandes palcos.

    Foto: Divulgação / Assessoria

    “Existe uma Alinne vulnerável, uma Alinne com medos… longe do papel de diva. Uma Alinne que é empresária de si, artista independente e que rala pra caramba pra ter suas coisinhas”, revelou.

    Essa redescoberta também passa pela compositora. Após lançar o álbum autoral “As Canções Que Ela Fez Pra Mim”, a artista acredita que o amadurecimento lhe deu mais liberdade para questionar caminhos que pareciam previamente estabelecidos pelo mercado.

    “Quando vamos amadurecendo, temos a coragem de refazer algumas rotas ‘marcadas'”, pontuou.

    De Salvador para outras cidades

    A origem do novo projeto está diretamente ligada a Salvador. Antes de “Pergunte a Bahia Quem Sou”, Alinne realizou uma série de apresentações na Casa da Mãe, no Rio Vermelho, com o projeto “Pergunte ao Rio Vermelho Quem Sou”. Foram três shows, com mudanças de repertório, cenário e figurino, além de uma troca mais próxima com os fãs.

    A experiência fez a cantora perceber que o formato poderia ultrapassar as apresentações realizadas no bairro onde morou antes de se mudar para São Paulo. Mais do que um projeto paralelo, a proposta passou a ser encarada como uma nova frente da carreira.

    “Entendi que a gente podia expandir a turnê, como uma nova label mesmo. E que isso não me faz menos artista do Axé, do nosso Carnaval. Eu sou tudo isso aí”, disse.

    Após a gravação em Salvador, Alinne leva o show para São Paulo, onde se apresenta no Blue Note no dia 9 de setembro. A intenção, segundo ela, é ampliar a circulação e levar o projeto para outras cidades brasileiras.

    A movimentação acompanha um ano em que a cantora tem reforçado diferentes elementos de sua identidade artística. Em 2026, Alinne levou referências à brasilidade para o Carnaval, apresentou seu trabalho autoral e participou do projeto We4Sessions.

    E, apesar das mais de duas décadas de estrada, não parece interessada em encontrar uma versão definitiva de si mesma.

    “A busca não vai parar. É construção. Eu tô numa fase em que quero experimentar tudo da minha arte. Eu vejo arte em todo lugar. E levo minha arte para todo lugar. Nos palcos, nas telas, nas letras. E é assim que quero seguir”, finalizou.