Renan Santos (Missão) foi o terceiro presidenciável entrevistado pela TV Globo na série de sabatinas para as eleições de 2026. A participação ocorreu nesta quarta-feira (26), após o Jornal Nacional, e foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Com um discurso mais radical que os dois candidatos entrevistados anteriormente, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, Renan concentrou sua participação em segurança pública, soberania nacional, combate ao crime organizado e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesa de armas nucleares
Um dos principais momentos da entrevista ocorreu quando Renan voltou a defender que o Brasil desenvolva armas nucleares.
O candidato argumentou que uma capacidade nuclear ampliaria a soberania e o poder de dissuasão do país. Ele afirmou que o projeto poderia ser desenvolvido no médio e longo prazo.
A proposta, porém, entra em conflito com compromissos assumidos pelo Brasil na Constituição e no Tratado de Não Proliferação Nuclear. Renan afirmou que não seria necessário um estudo científico para iniciar a discussão sobre o tema.
A declaração deve se tornar um dos principais assuntos da campanha após a entrevista, por envolver não apenas defesa e soberania, mas também a posição brasileira diante de tratados internacionais.
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“Guerra” contra o crime organizado
Renan afirmou que pretende retomar, em até um ano, territórios controlados por facções criminosas e defendeu uma “guerra contra o crime organizado”. O candidato também colocou a segurança pública como outro eixo central do tema.
Renan citou como referência a política de segurança adotada pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e defendeu medidas como estado de defesa em áreas dominadas por organizações criminosas.
O precidenciável também adotou um discurso extremamente duro sobre a atuação policial e afirmou que a polícia deve atirar para matar em determinadas situações.
Modelo de Bukele
Ao ser questionado sobre as denúncias de violações de direitos humanos associadas ao regime de exceção em El Salvador, Renan minimizou as acusações e disse desconhecer relatos de tortura e mortes relacionados à política de segurança do país.
A defesa do modelo de Bukele reforçou a tentativa do candidato de apresentar uma alternativa de forte endurecimento contra organizações criminosas.
Confronto com o STF
Outro ponto de forte repercussão foi a relação com o Judiciário. Renan afirmou que um eventual governo poderia descumprir decisões do STF que considerasse ilegais. O candidato também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes.
A declaração coloca a relação entre Executivo e Judiciário no centro da candidatura e amplia o discurso de enfrentamento às instituições adotado pelo candidato.
Críticas a Lula e Flávio Bolsonaro
Renan também mantém uma estratégia de confronto simultâneo com os dois principais polos da disputa. O candidato critica o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também procura se diferenciar de Flávio Bolsonaro.
Antes da sabatina, sua campanha indicava que pretendia explorar temas relacionados ao caso envolvendo Lulinha e investigações sobre fraudes no INSS. A estratégia busca apresentar Renan como uma alternativa tanto ao campo governista quanto ao bolsonarismo.

