Zema defende privatizações, anistia e desliza sobre feminicídio

    Candidato do Novo abriu série de entrevistas da Globo com presidenciáveis

    Foto: Reprodução

    Romeu Zema (Novo) foi o primeiro entrevistado da série de entrevistas da TV Globo com os candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. O ex-governador de Minas Gerais foi ouvido na última segunda-feira (24), pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, em transmissão exibida após o Jornal Nacional.

    Durante a conversa, Zema apresentou propostas voltadas à redução do tamanho do Estado, defendeu privatizações e adotou posições conservadoras em temas como segurança pública e os atos de 8 de janeiro de 2023. A entrevista também trouxe questionamentos sobre sua gestão em Minas Gerais.

    Privatizações e economia

    Zema defendeu a venda de empresas estatais federais, incluindo Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A proposta está alinhada ao discurso liberal adotado pelo candidato, que também defendeu a redução do peso do Estado na economia.

    O candidato criticou os juros cobrados pelo governo federal e relacionou as taxas ao crescimento da dívida de Minas Gerais. Segundo informações divulgadas durante a entrevista, o passivo do estado passou de cerca de R$ 88 bilhões em 2019 para quase R$ 180 bilhões em 2025.

    Questionado sobre o desempenho das contas mineiras, Zema argumentou que a relação entre a dívida e a receita líquida do estado teria melhorado durante sua administração.

    A afirmação, porém, foi posteriormente analisada pela agência Lupa, que apontou exagero na forma como o candidato apresentou os números da dívida estadual.

    Salário mínimo e Previdência

    O candidato prometeu garantir a correção do salário mínimo pela inflação e condicionou aumentos reais ao desempenho da economia e ao equilíbrio fiscal.

    Sobre a Previdência, Zema afirmou que não pretende promover, neste momento, uma mudança na idade mínima para aposentadoria. Segundo ele, uma eventual alteração dependeria do aumento da expectativa de vida da população.

    Segurança pública

    Na área de segurança, Zema defendeu medidas de endurecimento contra organizações criminosas. Entre as propostas apresentadas está a construção de um “superpresídio” no Norte do país destinado a líderes de facções.

    O candidato também citou a possibilidade de adaptar ao Brasil medidas adotadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, cuja política de segurança é marcada pelo enfrentamento direto às organizações criminosas.

    Um dos momentos que ficou marcado durante a entrevista de Romeu Zema foi sobre o combate à violência contra as mulheres. Questionado sobre o tema, Zema se atrapalhou e afirmou que “tinha uma série de programas contra as mulheres”. A fala do presidenciável ganhou repercussão nas redes sociais.

    8 de Janeiro

    Zema voltou a negar que os ataques às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023, tenham configurado uma tentativa de golpe.

    O candidato defendeu a anistia dos condenados pelos atos ou, alternativamente, que os processos tenham julgamentos que considerou imparciais. Ele também afirmou considerar que houve perseguição política em parte dos casos.

    A posição aproxima Zema do eleitorado de direita que defende a revisão das condenações relacionadas ao 8 de Janeiro.

    Vacinação e temas sociais

    Durante a sabatina, Zema criticou a obrigatoriedade da vacinação. Ele afirmou que, em uma democracia, a decisão de não se vacinar não deveria ser criminalizada, embora tenha declarado que tomou todas as doses da vacina contra a Covid-19.

    O candidato também foi questionado sobre políticas para mulheres e acabou protagonizando um dos momentos de maior repercussão da entrevista ao utilizar uma expressão que sugeria programas “contra as mulheres”, quando pretendia se referir a políticas de proteção.

    A entrevista ainda foi marcada por questionamentos sobre feminicídios em Minas Gerais. A Lupa apontou erros de Zema ao abordar dados e legislação penal relacionados ao tema.

    Salários e desgaste

    Outro ponto de pressão foi o aumento do próprio salário e dos vencimentos dos secretários estaduais durante seu governo. Zema defendeu reajustes salariais para integrantes do Executivo e afirmou que repassou seus vencimentos às Apaes.

    O episódio ganhou repercussão porque, durante sua gestão, houve aumento de 298% no salário do governador, que passou de R$ 10,5 mil para R$ 41,8 mil.

    Zema propõe uma combinação de propostas liberais na economia e posições conservadoras na segurança e no debate institucional.

    Ao mesmo tempo, os questionamentos sobre sua gestão em Minas Gerais e os erros apontados em informações apresentadas durante a entrevista se tornaram pontos de desgaste para a campanha.