Defensoria Pública apura abandono e descaso no Parque Pedra de Xangô

    Escuta presencial deu voz às queixas de representantes das comunidades tradicionais de terreiro diante da falta de manutenção do espaço

    Foto: Divulgação

    A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA), por intermédio da Ouvidoria Cidadã e do Núcleo de Equidade Racial (NER), realizou uma visita institucional ao Parque Pedra de Xangô, localizado no bairro de Cajazeiras, em Salvador. A ação visou promover uma escuta ativa junto a lideranças religiosas de terreiros locais e moradores da região afetados pela degradação da infraestrutura do equipamento público cultural e sagrado.

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    Durante a atividade, os representantes do órgão colheram relatos de omissão do poder público, caracterizada por falhas na segurança patrimonial, iluminação pública deficiente e esgoto correndo a céu aberto no perímetro da reserva. A iniciativa decorreu de demandas apresentadas previamente à Ouvidoria Cidadã, mobilizando a equipe do NER para averiguar potenciais violações de direitos e atos de racismo religioso.

    Manifestações das lideranças

    A escuta presencial deu voz às queixas de representantes das comunidades tradicionais de terreiro diante da falta de manutenção do espaço. A matriarca da Pedra de Xangô, Yá Dialá, externou indignação frente ao estado de degradação da estrutura e do entorno da área tombada.

    “Isso aqui não era para estar do jeito que está. Essa pedra pode emborcar qualquer dia. Eu peço por Deus, pelos Orixás, por Xangô que nos ajude. Isso me dói. Eu não gosto nem mais de vir aqui, eu choro mesmo, eu sinto uma dor pelo descaso, pelo abandono”, desabafou a Yá Dialá.

    A ouvidora-geral, Tamikuã Pataxó, e a coordenadora do Núcleo de Equidade Racial, Monica Antonieta, ressaltaram a importância do acolhimento presencial para direcionar a atuação jurídica da Defensoria.

    “O povo de santo quer respeito, quer reconhecimento, quer dignidade”, finalizou Monica Antonieta.

    A partir das informações registradas durante as sessões de depoimentos, a Defensoria Pública oficiará os órgãos estaduais e municipais responsáveis pelas áreas de segurança pública, saneamento básico, iluminação e conservação patrimonial para exigir a adoção de medidas saneadoras urgentes no local.