A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) criticou nesta segunda-feira (31) a participação de duas mulheres seminuas em uma caminhada da campanha de ACM Neto (União Brasil), em São Cristóvão, em Salvador. Com os corpos pintados de azul e o número de um candidato a deputado estadual, as jovens participaram do percurso sobre um carro de som.
“Acho que é lamentável. Nós tivemos, nessa semana passada, dois eventos que chamaram a atenção. Um foi a vinda de Lula aqui, que eu acho que foi uma lição de democracia, de muita gente na rua, as pessoas andando e tal. Isso joga a política para cima. Agora, esse outro evento que aconteceu com duas mulheres nuas, com o corpo pintado, das cores da campanha, com o número de um candidato, isso desqualifica, joga a campanha para baixo”, afirmou.
Aladilce disse que o episódio provocou indignação entre as mulheres da Câmara Municipal de Salvador e relacionou o caso ao enfrentamento da violência contra a mulher, especialmente durante o Agosto Lilás.
“É usar o corpo da mulher como um objeto, num contexto que a gente está vivendo de enfrentamento. Feminicídio, estamos inclusive no Agosto Lilás, fazendo todo o esforço para a valorização das mulheres, aí você tem um evento desse que é exatamente, faz o contrário, estimula a violência”, declarou.
Vereadora quer levar caso ao TRE e ao Ministério Público
Para Aladilce, a utilização da imagem das mulheres em campanhas políticas deveria ocorrer para reforçar a participação feminina na política e defender direitos, liberdade e segurança.
“Se a gente for usar a imagem da mulher, tem que ser num aspecto positivo de afirmar valores, que sejam valores civilizatórios em relação à mulher”, disse.
A vereadora também questionou a responsabilidade da organização da caminhada e afirmou que a campanha deveria ter retirado imediatamente as mulheres do carro ou se manifestado sobre a situação.
“É uma campanha que tem responsabilidade sobre o que vai em cima de um carro. Não se sobe, não vai numa carreata de qualquer maneira. E, se subiu e a direção da campanha, de quem é responsável por aquele arco de aliança, daquele projeto político que está ali, teria que tirar imediatamente, ou se posicionar”, afirmou.
Aladilce disse que está discutindo com outros vereadores uma forma de provocar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e o Ministério Público Eleitoral para apurar o episódio. Ela questionou ainda se as mulheres receberam algum tipo de pagamento para participar da ação.
“Ela foi paga por alguém? Ela estava ali, ela não foi espontaneamente ali. Elas não foram espontaneamente ali. Então, elas estavam ali com a mensagem de um candidato. Isso não dá para ser naturalizado”, declarou.
Segundo a vereadora, mesmo que a prática não esteja expressamente prevista no Código Eleitoral ou em outra legislação, o episódio deve ser investigado.
“Pode não estar previsto no Código Eleitoral em nenhuma lei, mas é uma prática condenável, é uma prática que não cabe em nenhuma campanha. E nós precisamos pontuar isso”, afirmou.
Aladilce também cobrou um posicionamento público de ACM Neto sobre o episódio. Para ela, os responsáveis pela organização da campanha precisam esclarecer o caso e adotar medidas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
“O objetivo nosso é discutir, fazer balanços sobre as políticas públicas e definir os rumos do país e do Estado nos próximos quatro anos. E não é esse, não é você pegar e indicar que a mulher pode ser usada dessa forma. Então eu acho que é preciso apurar as responsabilidades para que não se repita”, concluiu.

