Motoboys por app fazem paralisação nacional nesta terça-feira

    Na Bahia, o movimento ocorre em Salvador e em Feira de Santana

    Motociclista entregador de comida pedida por aplicativo Ifood em Bela Vista. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

    Entregadores por app do Brasil paralisaram as atividades nesta terça-feira (1º) em protesto contra a criação de uma taxa mínima de R$ 10 reais por corridas curtas e R$ 2,50 por Km rodado. Movimentação é parte do Breque dos Apps.

    Além da remuneração, os trabalhadores pedem maior transparência no bloqueio de contas e mudanças nas regras adotadas pelas plataformas.

    Na Bahia, o movimento ocorre em Salvador e em Feira de Santana. A orientação é que os motoristas permaneçam offline durante todo o dia, além de estarem previstos ‘buzinaços’ e manifestações em diversas cidades.

    Modelo “+Entregas” e automatização de punições são criticados

    Entre os principais pontos criticados pela categoria estão modalidades especiais de entrega, com destaque para a “+Entregas” do aplicativo iFood. Segundo informações da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), os profissionais afirmam que o modelo reduz os valores recebidos e pode prejudicar quem opta por não aderir.

    Um outro ponto levantado pela categoria é o da suspensão e bloqueio de contas por parte da empresa sem transparência para os trabalhadores.

    Os entregadores afirmam que empresas como IFood, Keeta e demais promovem punições arbitrárias. Além disso, o modelo automatizado de tomada de decisões impede que os entregadores possam contestar a medida.

    Críticas à PLP 152/25

    Alguns motoristas também criticam o PL (Projeto de Lei) 152/25,  que regulamenta o trabalho por aplicativos de transporte e entregas no Brasil, propondo a categoria de “trabalhador autônomo plataformizado”. O projeto já foi a principal pauta de protestos anteriores da categoria. 

    De autoria do deputado federal Luiz Gastão (PSD – CE), a primeira do PL versão é de dezembro de 2025. Diferente do que foi apresentado incialmente, o parecer mais recente – do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) -, fortalece o termo “trabalhador autônomo plataformizado” e reforça que não existe vínculo empregatício entre o trabalhador e a empresa ou o usuário.

    Entre os pontos mais polêmicos estão a alíquota a ser recolhida pelas empresas (20%) e o piso de R$ 8,50 para trajetos de até 3 km (automóvel) ou até 4 km (moto, bicicleta ou a pé).

    As alterações mais recentes no projeto geraram críticas, como a do secretário nacional de Comunicação do Partido dos Trabalhadores (PT), Éden Valadares.

    Associação defende o diálogo com os profissionais

    Em nota, a Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia) – entidade que representa o iFood e outras empresas do setor – afirmou que respeita o direito à realização de manifestações e defendeu o diálogo contínuo com os profissionais.

    A Amobitec afirmou ainda que as empresas associadas trabalham continuamente para fortalecer a remuneração dos profissionais.

    Confira a nota completa:

    As associadas da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) respeitam o direito à realização de manifestações pacíficas e reforçam que mantêm canais permanentes de diálogo contínuo com os profissionais parceiros, buscando ouvir suas demandas e contribuir para a evolução do setor.   

    Entregadores, motociclistas e motoristas têm papel fundamental nos serviços intermediados por plataformas. As empresas associadas trabalham continuamente para fortalecer as oportunidades de geração de renda com autonomia e aprimorar as condições de atuação desses profissionais.

    A Amobitec apoia uma regulação equilibrada para o trabalho por meio de plataformas tecnológicas, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e a segurança jurídica da atividade, em compromisso firmado desde 2022 em sua Carta de Princípios.