O Vitória se uniu, na noite desta quinta-feira (17), a clubes de diferentes regiões do país em defesa da manutenção do mercado regulado de apostas esportivas no Brasil.
Por meio de nota oficial, o Rubro-Negro destacou a importância financeira das empresas autorizadas para o futebol e defendeu o combate à ilegalidade por meio de fiscalização e mecanismos de proteção aos apostadores.
No manifesto, os clubes afirmam que “o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte”. Segundo o posicionamento, os recursos provenientes do setor não ficam restritos às equipes de maior expressão e também chegam a clubes menores, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial.
A manifestação ocorre em meio à possibilidade de o governo federal editar uma Medida Provisória (MP) para restringir a atuação das plataformas de apostas esportivas no país. Até o momento, não havia uma decisão definitiva sobre uma eventual proibição.
O governo avalia uma medida voltada principalmente aos cassinos on-line, com possibilidade de exclusão das apostas esportivas e dos respectivos patrocínios.
Clubes alertam para mercado ilegal de bets
No documento, os clubes também argumentam que mudanças nas regras não fariam “com que as apostas deixem de existir”. Na avaliação apresentada no manifesto, uma eventual proibição poderia levar parte dos apostadores para plataformas ilegais, que não estariam submetidas às mesmas regras de fiscalização e proteção.
Por isso, as equipes defendem que é necessário “combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado”.
O manifesto termina com uma frase que sintetiza a preocupação dos clubes com os efeitos econômicos de uma eventual mudança: “O torcedor não pode pagar essa conta. Se acabar o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é que acaba”.
A mobilização ganhou força após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar, nessa quarta-feira (16), que sua “disposição pessoal é acabar com as bets”. O presidente também declarou que ainda pretende ouvir outras pessoas antes de tomar uma decisão.
“Estamos discutindo. Já fiz três reuniões no governo, já fiz reuniões com a sociedade. E a minha disposição pessoal é acabar com as bets. Mas, tenho que levar em conta o que pensa a sociedade”, afirmou Lula.
Impacto financeiro preocupa clubes
Um dos principais argumentos apresentados pelos clubes é o impacto financeiro que uma eventual restrição poderia provocar. Atualmente 13 clubes da Série A possuem contratos de patrocínio master com empresas de apostas, em acordos que representam aproximadamente R$ 1 bilhão.
O Vitória não foi o único clube baiano a aderir ao posicionamento. O Feira Futebol Clube, que disputa a segunda divisão estadual, também se manifestou em defesa do mercado regulado.

