MP das bets pode acabar com patrocínios de forma imediata

    Medida em discussão no governo não deve prever período de transição e pode afetar contratos de clubes com casas de apostas

    Foto: Rafael Ribeiro/CBF

    A Medida Provisória (MP) que o Governo Federal prepara para restringir ou proibir as bets no Brasil deve ter efeito imediato, sem período de transição para empresas autorizadas a operar no país ou para contratos de patrocínio atualmente em vigor. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (25) pela CNN Brasil.

    Ainda nesta sexta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, em ato de campanha no Recife, que assinará uma Medida Provisória (MP) para acabar com as bets no país. A assinatura está prevista para ocorrer em um ato oficial em São Paulo.

    A possibilidade de estabelecer um prazo para adaptação dos contratos chegou a ser discutida em reunião com o presidente, mas a proposta não avançou. Com isso, clubes de futebol e outros setores que dependem de investimentos das casas de apostas podem ser afetados caso a medida seja publicada nos termos atualmente debatidos.

    Futebol pode perder R$ 1,4 bilhão

    O impacto sobre o futebol brasileiro aparece entre as principais preocupações. Segundo levantamento interno do governo citado pela CNN, as casas de apostas devem movimentar cerca de R$ 1,4 bilhão em patrocínios no futebol em 2026.

    O valor representa uma parcela relevante das receitas dos clubes e poderia afetar diretamente contratos de patrocínio caso as operações das empresas sejam interrompidas. A possibilidade de rompimento imediato também preocupa porque algumas equipes já possuem acordos de longo prazo com as plataformas.

    Casas de apostas também já notificaram algumas equipes sobre a possibilidade de rescisão dos contratos caso uma eventual MP impeça a continuidade das operações.

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    Foto: Reprodução/Redes Sociais

    Governo prepara alternativa para os clubes

    Paralelamente à discussão sobre a MP, o governo avalia medidas para reduzir o impacto financeiro sobre o futebol. Entre as alternativas estão uma linha de crédito com juros mais baixos e a possibilidade de renegociação de dívidas dos clubes e SAFs.

    A proposta de financiamento, que pode chegar a R$ 20 bilhões, seria utilizada para reorganizar dívidas, mas não impediria a perda imediata dos contratos de patrocínio caso a MP determine o encerramento das atividades das bets.