Bets: governo discute crédito de até R$ 20 bilhões para clubes

    Proposta prevê financiamento via BNDES para clubes e SAFs reorganizarem dívidas em meio à possibilidade de restrições ao mercado de apostas

    Foto: Adriano Fontes/Flamengo

    O Governo Federal discute a criação de uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para ajudar clubes de futebol e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) a reorganizarem suas dívidas. A proposta prevê financiamento por meio do BNDES e ganhou força diante da possibilidade de novas restrições ao mercado de apostas esportivas no Brasil.

    O plano já vinha sendo debatido antes de o governo acelerar as discussões sobre as bets. A preocupação dos clubes está relacionada ao impacto que uma eventual redução ou proibição do setor poderia causar nas receitas provenientes de patrocínios e outros contratos comerciais.

    Futebol pode perder receita com bets

    A estimativa apresentada nas discussões é de que o futebol brasileiro poderia deixar de movimentar cerca de R$ 1 bilhão por ano apenas em patrocínios diretos de casas de apostas. O impacto também poderia atingir outras fontes de receita, como placas publicitárias, transmissões, naming rights e acordos comerciais relacionados ao setor.

    Nesse cenário, a linha de crédito seria utilizada como uma alternativa para aliviar o impacto financeiro sobre os clubes e permitir a reorganização de compromissos já existentes. A proposta não prevê o perdão das dívidas, mas a substituição de débitos considerados mais caros por financiamentos com condições diferentes.

    Foto: Gerado por IA

    Como funcionaria o crédito

    Pelo modelo em discussão, os clubes e SAFs poderiam utilizar os recursos para quitar ou reorganizar dívidas trabalhistas, direitos de imagem, débitos com a Receita Federal, INSS e FGTS, empréstimos bancários e outras obrigações. Também haveria possibilidade de aplicação em investimentos relacionados à infraestrutura das categorias de base.

    O dinheiro não poderia ser utilizado para despesas correntes, como pagamento de salários do mês, contratação de jogadores ou distribuição de lucros e dividendos aos proprietários de SAFs.

    A proposta prevê prazo de até 20 anos para pagamento, com dois anos de carência antes do início da quitação. Os recursos seriam disponibilizados por meio de instituições financeiras habilitadas, enquanto o risco das operações ficaria com os bancos, e não diretamente com a União.

    Programa ainda depende de definição

    O projeto vem sendo discutido entre representantes do governo, clubes e entidades do futebol. A CBF participa das articulações, mas não seria responsável pela condução direta do programa.

    A ideia em análise é criar o chamado Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional por meio de uma Medida Provisória. O texto ainda pode sofrer alterações antes de uma eventual publicação e precisaria ser analisado posteriormente pelo Congresso Nacional.