Dino leva caso de Nossa Senhora Aparecida ao plenário do STF

    Ministro do STF quer que plenário analise decisão que suspendeu ordem de André Mendonça para retirar publicações das redes sociais

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, submeteu nesta segunda-feira (28) ao plenário da Corte a decisão que derrubou uma determinação do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para retirar das redes sociais publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida.

    Agora, cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, definir a data para que os demais ministros analisem a decisão de Dino em sessão presencial. A medida ocorre um dia depois de o magistrado suspender a ordem de Mendonça.

    A decisão de Mendonça havia determinado a remoção de mais de mil publicações relacionadas a conteúdos que afirmavam que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) teria a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil caso fosse eleito.

    Colegialidade no TSE

    Entre os pontos levantados por Dino está a necessidade de discutir o princípio da colegialidade no TSE, especialmente em relação às decisões individuais de ministros responsáveis pela propaganda eleitoral.

    “Torna imperativa a análise sobre o princípio da colegialidade no Tribunal Superior Eleitoral, abrangendo decisões monocráticas de juízes da propaganda e sua submissão a referendo pelo Plenário do citado TSE”, escreveu o ministro.

    Dino também apontou a necessidade de o Supremo discutir a possibilidade de utilização de reclamações constitucionais contra decisões da Justiça Eleitoral e a jurisprudência relacionada ao tema.

    Outro ponto citado pelo ministro envolve a atuação das plataformas digitais e os poderes atribuídos às empresas de internet para decidir quais conteúdos permanecem disponíveis ou são retirados do ar durante o período eleitoral.

    “Censura em massa”

    Na decisão, Dino voltou a manifestar preocupação com a possibilidade de que a retirada de publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida resulte, segundo sua avaliação, em uma “censura em massa”.

    O ministro afirmou que o caso envolve também questões relacionadas à liberdade religiosa e destacou a proximidade de 12 de outubro, data prevista em lei para as homenagens à santa.

    “Essa situação é ainda mais grave considerando que 12 de outubro é a data prevista em lei para as homenagens de centenas de milhões de fiéis à Nossa Senhora, o que pode levar à censura em massa”, escreveu.

    Segundo Dino, a situação estaria relacionada à insegurança jurídica provocada pela decisão individual tomada no âmbito do TSE e aos poderes atribuídos às plataformas para determinar quais publicações devem permanecer ou ser removidas.