A investigação que resultou na decretação da prisão preventiva de dez pessoas ligadas à Bamor reuniu depoimentos das vítimas, registros médicos, exame de corpo de delito, imagens de videomonitoramento, dados de localização de telefones e informações sobre uma transferência bancária antes de chegar ao pedido apresentado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) à Justiça.
O procedimento conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco) apura fatos ocorridos em 17 e 18 de julho de 2026, na sede da Associação Bamor Nova Era, no bairro de Nazaré, em Salvador.
As vítimas que terão os nomes preservados, teriam sido convocadas ao local para prestar esclarecimentos sobre supostas fraudes e desvios e, no interior da sede, teriam sido submetidos a agressões físicas e psicológicas.
O primeiro episódio, de acordo com a decisão judicial, ocorreu em 17 de julho. O documento relata agressões com diferentes instrumentos, sufocamento, método de afogamento, ameaças e a subtração de ferramentas e equipamentos que estavam no veículo da vítima. O celular de uma das vítimas também teria permanecido fora de sua posse até 24 de julho.
No dia seguinte, 18 de julho, outra pessoa teria sido submetida a um segundo episódio de violência. A investigação aponta agressões, sufocamento, afogamento e ameaças. Segundo os autos, a vítima também teria sido constrangida a fornecer senhas de contas bancárias. Durante o episódio, foi realizada uma transferência via PIX de R$ 5.578,18 da empresa Musa Tickets para a Loja Oficial TOB Nova Era Ltda., instalada no mesmo endereço da sede da associação.
A apuração passou a reunir formalmente os relatos das vítimas em agosto. Além das declarações, a representação apresentada à Justiça foi acompanhada por relatórios de atendimento médico da UPA dos Barris, fotografias das lesões e laudo de exame de corpo de delito. Também foram anexados o comprovante da transferência via PIX, imagens de videomonitoramento das proximidades da sede da Bamor e relatórios produzidos durante a investigação.
Segundo o documento, gravações das proximidades da sede foram registradas em 17 de julho, bem como a transferência feita em 18 de julho, as imagens de videomonitoramento foram consideradas pelo juiz. Segundo os autos, a justiça considerou que a operação coincide temporalmente com o relato feito por uma das vítimas.
Os investigadores também analisaram gravações mencionadas nos Relatórios de Assessoramento nº 11/2026 e nº 16/2026. Segundo a decisão, o material indicaria que integrantes da direção da Bamor tinham conhecimento das agressões e discutiram internamente as consequências dos fatos.
No processo, o Ministério Público individualizou as condutas atribuídas aos investigados e pediu à Justiça a prisão preventiva de dez pessoas. Além de mandados de busca e apreensão e medidas de indisponibilidade patrimonial. A representação alcançou ainda outros alvos para fins de busca, sem pedido de prisão preventiva contra todos eles.
Análise pela vara de garantias
Ao analisar o pedido, a 1ª Vara das Garantias de Salvador entendeu que, naquele estágio da investigação, havia prova da existência dos crimes e indícios de autoria suficientes para a adoção das medidas cautelares. Entre os fundamentos apresentados pelo juízo para as prisões estão a gravidade concreta das condutas descritas, a repetição de episódios em dias consecutivos e o risco de interferência na investigação.
A Justiça decretou, então, a prisão preventiva de Matheus Pires Castro, Luciano da Silva Venâncio, Gabriel Pereira Silva, Daniel Sena Duarte, Ricardo Henrique Almeida da Silva, Fernando Santana Esquivel, Diego Allan Conceição Sacramento, Ivã Cleiton de Jesus Santos, Luiz Wagner da Silva Santana e Alan Rafael Regis Alves de Aquino.
Veja também: Bamor: sanções são direcionadas às pessoas, diz promotora de Justiça

