Veja como cada membro da Bamor preso agiu no suposto caso de tortura

    Atenção: a seguir, serão detalhados os elementos da decisão, com o modus operandi de cada membro da organizada preso

    Foto: Reprodução / Google Maps

    O Ministério Público da Bahia (MP-BA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou, na segunda-feira (28), em Salvador, uma operação que investiga casos de tortura dentro da sede da Bamor, contra integrantes da presidência e da diretoria da Bamor, torcida organizada do Esporte Clube Bahia.

    Segundo decisão obtida pelo bahia.ba, a investigação reuniu depoimentos das vítimas, registros médicos, exame de corpo de delito, imagens de videomonitoramento, dados de localização de telefones e informações sobre uma transferência bancária antes de embasar o pedido apresentado pelo MP-BA à Justiça.

    O procedimento conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco) apura fatos ocorridos em 17 e 18 de julho de 2026, na sede da Associação Bamor Nova Era, no bairro de Nazaré, em Salvador.

    Atenção: a seguir, serão detalhados os elementos da decisão, com o modus operandi de cada membro da organizada preso.

    Como cada membro da Bamor agiu, segundo os autos:

    Entre os alvos da prisão preventiva está Matheus Pires Castro, conhecido como MTS, identificado na decisão como presidente da Bamor. Segundo o Ministério Público, ele teria participado dos dois episódios investigados.

    A investigação atribui a Matheus a convocação de uma das vítimas, o soco inicial, uma queimadura na orelha e a retenção do aparelho celular. Em outro episódio, o investigado teria participado das agressões e da extorsão.

    Luciano da Silva Venâncio, apontado como vice-presidente da associação, também teve a prisão decretada. A investigação atribui a ele participação nos dois episódios.

    Conforme a decisão, Luciano teria agredido uma das vítimas com taco e saltado sobre os joelhos da vítima, além de, no segundo episódio, ter utilizado um alicate contra a orelha de Roberto e participado do método de afogamento.

    Gabriel Pereira Silva, conhecido como “Bolinha” e identificado como diretor-geral da Bamor, é outro alvo. O Ministério Público atribui a ele participação nas agressões nos dois casos. Além disso, Gabriel teria participado das agressões e do afogamento e operado o celular utilizado para realizar uma transferência via PIX.

    A prisão preventiva também foi decretada contra Daniel Sena Duarte, conhecido como “Facada”, identificado como diretor de sede. Segundo a investigação, ele teria golpeado uma das vítimas com um martelo, perfurado a mão da vítima com uma faca, participado do método de afogamento, se apropriado da chave do veículo para a retirada de ferramentas e feito ameaças de morte.

    Ricardo Henrique Almeida da Silva, conhecido como “Kakaroto” ou “Riick Estrela”, apontado como diretor de marketing, também está entre os dez investigados. A ele são atribuídas, no primeiro episódio, a contenção física de uma das vítimas e agressões com taco.

    Outro alvo é Fernando Santana Esquivel, identificado na decisão como soldado da Polícia Militar. Segundo o documento, a investigação atribui a ele um chute no rosto de uma das vítimas, o pisoteamento da cabeça, ameaças à vítima para que não procurassem ajuda policial.

    Diego Allan Conceição Sacramento, conhecido como “Pitombo” e apontado como diretor de patrimônio da Bamor, teve a prisão preventiva decretada sob a suspeita de ter agredido uma das vítimas com um taco.

    Ivã Cleiton de Jesus Santos, identificado como diretor de bateria, também é investigado nos dois episódios. Segundo a decisão, ele teria atingido com taco as mãos já lesionadas de uma das vítimas. No episódio envolvendo a outra, ele teria participado das agressões e auxiliado no afogamento.

    Luiz Wagner da Silva Santana, conhecido como “Waguinho” e identificado como diretor de sede, é apontado pela investigação como responsável por fornecer o saco plástico utilizado no sufocamento e por pressionar um pano sobre o rosto da vítima durante o afogamento.

    Acerca de Alan Rafael Regis Alves de Aquino, conforme a decisão, embora não lhe seja atribuída a execução pessoal dos golpes, Alan teria permanecido no local e coordenado a sequência das ações durante o episódio envolvendo uma das vítimas, orientando os demais sobre o que deveria ser feito.

    De acordo com a decisão, Matheus Pires Castro, Luciano da Silva Venâncio, Gabriel Pereira Silva e Ivã Cleiton de Jesus Santos aparecem como participantes dos dois episódios investigados. O juízo considerou haver, nesta fase do procedimento, indícios suficientes para justificar as prisões preventivas.

    Além das prisões, a Justiça autorizou buscas e apreensões contra os investigados e outros alvos, entre eles Wesley Christian Sousa da Silva e Silva, Edivaldo Lopes de Oliveira e Lucas Silva Macedo, além da Associação Bamor Nova Era e da Loja Oficial TOB Nova Era Ltda. As prisões preventivas e as demais medidas possuem natureza cautelar e não representam condenação definitiva dos investigados.

    Qual a motivação do grupo para as agressões?

    Segundo a investigação, as vítimas foram convocados à sede da Bamor sob o pretexto de prestar esclarecimentos sobre supostas fraudes e desvios relacionados ao sistema de gestão de associados da torcida. Um é apontado no processo como responsável pela empresa de tecnologia que desenvolveu o sistema utilizado pela agremiação.

    Na decisão, o juízo registra que os relatos das duas vítimas apresentam uma similaridade quanto à finalidade das agressões, que teriam sido empregadas para a obtenção de confissões e de vantagens patrimoniais.

    De acordo com a linha apresentada pelo Ministério Público e considerada pela Justiça nesta fase inicial, os episódios teriam ocorrido em um contexto de tentativa de obter esclarecimentos ou confissões sobre supostas irregularidades no sistema da torcida, associado também à obtenção de vantagens patrimoniais.