Atrás de Flávio, Lula tenta desafiar histórico da Nova República

    PT aposta na rejeição do adversário enquanto bolsonarismo busca união das direitas para segurar vantagem

    Foto :Carlos Moura/Agência Senado - Ricardo Stuckert

    Com desempenho acima do projetado pelas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL) encerrou sua participação no primeiro turno das eleições com tom de vitória. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado, somou 56.104.503 votos, totalizando o apoio de 47,03% do eleitorado e avançando para o segundo turno ao confirmar o leve favoritismo diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Atrás na disputa desde o início, Lula viu o opositor registrar rendimento superior ao do próprio pai e, nem mesmo quando os votos do Nordeste foram somados no decorrer da apuração, conseguiu ultrapassar o candidato do PL, alcançando 53.879.538 votos (45,16% da preferência do eleitorado).

    Em um movimento claro de voto útil, Flávio Bolsonaro captou o eleitorado de direita que, ao longo do período pré-eleitoral, acenava para outros nomes nas pesquisas. O avanço do senador se explica pela desidratação de outras candidaturas do mesmo campo.

    Pesquisas indicavam favoritismo de Lula, mas dentro da margem

    Na última pesquisa do Datafolha, Lula figurava com 45% contra 42% de Flávio. Na Quaest, o equilíbrio era ainda maior, com 46% a favor do atual presidente e 45% indicando apoio ao candidato do PL. Já no levantamento da Atlas/Intel, o cenário apontava 47% para Lula e 44,1% para Flávio.

    Entre os institutos citados, apenas as pesquisas espontâneas antecipavam a migração de votos. Nos cenários estimulados, as sondagens previam que nomes como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) alcançassem votações superiores às registradas ao fim da apuração.

    Flávio recebe ‘voto útil’

    Na tentativa de reagir no segundo turno, aliados do presidente Lula apostam em um eventual teto de crescimento de Flávio Bolsonaro, sob a avaliação de que o rival já absorveu boa parte do voto útil na primeira etapa. Ciente desse risco, a campanha de Flávio iniciou articulações com legendas de centro que adotaram neutralidade.

    A federação PP-União Brasil já indicou alinhamento com a candidatura de Flávio para a etapa decisiva. O movimento deve ser acompanhado pelo Republicanos, legenda fortalecida pela vitória em primeiro turno do governador Tarcísio de Freitas.

    Na Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, um dos líderes do União Brasil, afirmou que o Brasil quer mudança e revelou compromissos em Brasília. A declaração ocorreu após derrota para Jerônimo Rodrigues (PT) no primeiro turno na disputa pelo Palácio de Ondina.

    Zema cai em Minas

    Levantamentos prévios também apontavam leve favoritismo de Lula em Minas Gerais, estado que acabou vencido por Flávio. A alteração no cenário mineiro é atribuída à perda de tração do ex-governador Romeu Zema (Novo), que obteve apenas 0,27% dos votos válidos, após aparecer com margem superior durante a corrida presidencial.

    Com palanques estaduais estratégicos definidos, a campanha do PT busca reverter a desvantagem acumulada no primeiro turno. A estratégia do partido prevê focar na rejeição de Flávio Bolsonaro e buscar eleitores que optaram por outras candidaturas no primeiro turno, enquanto o representante do PL atua para consolidar a união das forças de oposição.

    Sabendo que tem uma missão espinhosa pela frente, Lula se colocou como bom de ‘mata-mata’, fazendo menção às competições de confrontos diretos no futebol, no entanto, o petista sabe que em toda história da nova democracia, sair atrás significa perder.