As ‘contradições partidárias’ entre as alianças estaduais e nacionais

    Análise mostra como siglas mantêm apoio a Lula na Bahia, mesmo com acenos nacionais ao bolsonarismo

    Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado e Ricardo Stuckert / PR

    Para quem já está habituado a trabalhar com política, isso pode parecer bobagem, mas para o público em geral, não é. Ultimamente, tenho percebido o meu trabalho no jornalismo como uma grande oportunidade de prestar um serviço para a população e fazer informações ficarem mais inteligíveis para o público interessado.

    Nas eleições, os partidos adotam diferentes estratégias, o que reforça como a política estadual e municipal é totalmente diferente da política nacional.

    Perceba: o MDB na Bahia é aliado de Lula, mas em São Paulo é aliado do bolsonarismo. O PSD também é aliado de Lula no estado, mas nacionalmente, o candidato que disputou a presidência pelo PSD no primeiro turno, Ronaldo Caiado, declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.

    Michel Temer, que foi vice de Dilma em um contexto onde o MDB nacional era parceiro do PT, mudou completamente de lado, declarando apoio a Flávio. É claro que essa postura já vem de antes, desde o impeachment da ex-presidente.

    Articulações políticas e o poder da conciliação

    Com Lula preso, setores da esquerda tentaram rejeitar parcerias com partidos de centro que estiveram ligados ao que chamaram de golpe. No entanto, Lula tem no sangue um republicanismo que torna impossível que ele não se torne um articulador político, utilizando sua influência para governar no sistema de coalizão que ele quase sempre dominou tão bem.

    Pensando em todo esse contexto, resolvi perguntar à presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ivana Bastos (PSD), e ao cacique do MDB e ex-ministro Geddel Vieira Lima sobre essas movimentações. As respostas de ambos convergiram para o mesmo ponto: independentemente dos acenos nacionais a Flávio Bolsonaro, na Bahia o alinhamento com Lula e com a gestão estadual de Jerônimo Rodrigues permanece inalterado e firme.

    Outro exemplo importante na Bahia é o caso do PSOL. A sigla é parceira do presidente Lula nacionalmente, mas no estado lançou candidaturas próprias para o Palácio de Ondina e para o Senado, em uma federação com o partido Rede Sustentabilidade.

    Aparentes contradições

    A verdade é que a política brasileira admite e convive com essas aparentes contradições. As alianças e apoios estaduais possuem dinâmica própria e, em muitos casos, repercutem com mais força e relevância para o eleitor do que as diretrizes nacionais. Considerando o sistema político brasileiro, tudo depende dos acordos locais, da construção das bancadas e dos interesses regionais necessários para a continuidade e a sobrevivência no jogo político.