Rui Costa associa plano de Flávio à crise econômica argentina

    O petista também cobrou explicações sobre quais áreas seriam atingidas pelas medidas

    Fotos: Evertton Pacheco/ Divulgação

    O senador eleito Rui Costa (PT) questionou a proposta atribuída à equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL) de cortar R$ 250 bilhões do orçamento federal. Em entrevista nesta sexta-feira (9), o petista cobrou explicações sobre quais áreas seriam atingidas pelas medidas e levantou preocupações sobre possíveis impactos em programas sociais e serviços públicos.

    “Eles anunciaram que ganhando a eleição eles vão fazer uma PEC, uma emenda constitucional, ainda este ano, para cortar R$ 250 bilhões do orçamento. Eu gostaria muito que ele pudesse dizer ao povo, onde ele vai fazer o corte?”, questionou.

    A declaração faz referência a uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo na quarta-feira (7), que apresentou medidas discutidas pela equipe econômica de Flávio. Entre elas, estão propostas de acabar com os pisos constitucionais da saúde e da educação e alterar as regras de reajuste das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), caso o candidato seja eleito presidente.

    Rui cita programas sociais e critica modelo econômico

    Ao comentar as possíveis consequências das medidas, Rui Costa questionou se os cortes poderiam atingir programas como Farmácia Popular e Bolsa Família, além do atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

    “Ele vai cortar o Farmácia Popular, ou seja, as pessoas não vão ter mais remédio gratuito? Ele vai cortar o financiamento da SAMU, ou seja, as pessoas agora para serem atendidas vão pagar a ambulância? Vai cortar o Bolsa Família? Vai cortar no BPC? É preciso que ele diga onde vai cortar”, afirmou.

    O petista também criticou a referência de Flávio Bolsonaro ao governo do presidente argentino Javier Milei. Rui citou dificuldades econômicas enfrentadas pela Argentina e questionou se o Brasil deveria seguir o mesmo modelo.

    “Ele vai transformar o Brasil numa Argentina, porque o modelo dele é o do Milei, que esteve aqui fazendo campanha pra ele. Ele disse que a referência dele é a Argentina. Eu pergunto: você quer que o Brasil vire uma Argentina?”, declarou.

    Rui também questionou os resultados financeiros atribuídos ao negócio de chocolates de Flávio Bolsonaro e ironizou o faturamento da empresa.

    “Ele terá a oportunidade de dizer durante o segundo turno, como é que ele consegue ter aquele rendimento extraordinário na lojinha de chocolate que ele tem, como consegue vender mais chocolate no carnaval do que na Páscoa? É um dado singular. Ele podia ensinar ao povo como é que ele faz pra poder ter o faturamento que ele tem naquela lojinha”, disse.

    Combustíveis e privatizações

    Na entrevista, Rui Costa também abordou o preço da gasolina e do diesel. O senador eleito atribuiu dificuldades para controlar os valores à venda da antiga BR Distribuidora e à privatização da Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

    “Lula fez muitos subsídios para o preço da gasolina e do diesel não subir, mas o povo pergunta, ‘por que vocês não conseguem controlar o preço da gasolina?’ Sabe por quê? Porque o Bolsonaro e o Temer, juntos, venderam a distribuição de petróleo. Na hora que a BR distribuidora, quando era da Petrobras, fixava o preço da gasolina e do diesel, os outros não conseguiam botar um preço maior”, afirmou.

    O petista também disse receber mensagens de baianos que questionam os preços dos combustíveis no estado e voltou a responsabilizar o governo Bolsonaro pela venda da refinaria.

    “Privatizaram a refinaria [Landulpho Alves] daqui, eu recebo muitas mensagens dos baianos, ‘por que a gasolina aqui é mais cara do que em outros estados?’, porque eles venderam a refinaria. Quem vendeu foi o governo Bolsonaro. Então, na hora de voltar no segundo turno, você precisa saber disso. Se eles voltarem, eles vão vender tudo”, completou.

    Rui pede votos para Lula na Bahia

    Ao encerrar a entrevista, Rui Costa pediu votos para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno e relacionou a continuidade do governo do presidente a investimentos em obras e serviços na Bahia. Entre os projetos citados por ele estão a ponte Salvador-Itaparica, o VLT, a extensão do metrô, o Porto Sul e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL).

    “Eu peço o seu voto a favor da Bahia, a favor dos hospitais, a favor das policlínicas, a favor dos institutos federais, a favor da ponte Salvador-Itaparica, a favor do VLT, a favor da extensão do metrô, a favor do Porto Sul, da FIOL, da duplicação da BR-116, da reconstrução da BR-324”, disse Rui.