6×1: Flávio muda discurso, mas PL prepara alternativa

    Aliados de Flávio Bolsonaro querem priorizar projeto de Rogério Marinho, que não estabelece jornada inferior a 40 horas semanais

    Foto: Vittor Sales

    Apesar de ter sinalizado positivo para a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), já articula com senadores uma estratégia para substituir.

    Na prática, o partido vai buscar configurar um projeto de jornada flexível, que já foi apresentado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). O plano, segundo informações de bastidores, depende da eleição de Flávio ao Palácio do Planalto e da construção de uma maioria favorável no Senado a partir de 2027.

    A movimentação inclui conversas com representantes do mercado financeiro. Interlocutores do partido têm sinalizado que o apoio anunciado por Flávio à PEC não impede a adoção de uma alternativa legislativa para regulamentar a jornada de trabalho.

    Projeto do PL prevê flexibilidade na jornada

    A proposta de Rogério Marinho estabelece um modelo baseado nas horas efetivamente trabalhadas, sem determinar uma redução obrigatória da jornada para menos de 40 horas semanais. O texto também não impõe a adoção do regime de cinco dias de trabalho para dois de descanso.

    A intenção dos parlamentares é utilizar a iniciativa para modificar os efeitos da PEC que prevê o fim da escala 6×1. Para isso, o PL aposta na possibilidade de ampliar sua influência no Senado na próxima legislatura e garantir apoio suficiente para aprovar a proposta.

    Flávio mudou de posição sobre a escala 6×1

    O movimento ocorre após Flávio Bolsonaro declarar apoio à PEC, apesar de ter se posicionado contra a medida anteriormente. O senador também defende uma alternativa que permita maior flexibilidade nas relações de trabalho e amplie as possibilidades de negociação entre empregadores e funcionários.

    Além disso, o candidato à Presidência sustenta que o governo federal deverá compensar as empresas pelos custos decorrentes da redução da jornada.

    Antes da mudança de discurso, aliados do PL no Senado tentaram adiar a votação da PEC, mas não conseguiram impedir o avanço da proposta.

    PEC tem votação prevista no Senado

    A PEC que prevê o fim da escala 6×1 tem votação em primeiro turno prevista para esta quarta-feira (14), no plenário do Senado. A articulação do PL busca abrir caminho para que o projeto de Rogério Marinho se torne uma alternativa à mudança constitucional.

    A estratégia evidencia a divergência entre o apoio público anunciado por Flávio Bolsonaro à redução da jornada e a atuação de aliados que defendem um modelo sem limite inferior a 40 horas semanais nem obrigação de dois dias consecutivos de descanso.