MP-BA abre inquérito para apurar fraudes do IPTU e benefícios fiscais

    De acordo com as investigações iniciais, prática gerou sérios prejuízos aos cofres municipais

    Foto: Agência Brasil/EBC

    A 6ª Promotoria de Justiça de Proteção da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público instaurou um inquérito civil para investigar a existência de um esquema criminoso voltado à manipulação do sistema cadastral tributário de Salvador. A apuração do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) foca na concessão indevida de benefícios fiscais e na adulteração dolosa de lançamentos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), prática que gerou sérios prejuízos aos cofres municipais.

    As investigações apontam que o grupo alterava fraudulentamente dados tributários para beneficiar contribuintes e reduzir os valores devidos à prefeitura de Salvador, mediante o pagamento de propina a servidores públicos envolvidos. A portara foi assinada pela promotora de Justiça Eduvirges Ribeiro Tavares.

    Além do enquadramento dos envolvidos, a apuração ministerial examinará as falhas de controle interno e as fragilidades operacionais nos sistemas da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), permitindo a inserção não autorizada de modificações na base de dados.

    Operação Valor Venal

    A conduta de alterar dados no sistema da administração pública para obter vantagem ilícita configura violação gravíssima aos preceitos da Lei de Improbidade Administrativa. Os implicados no esquema estão sujeitos a sanções que incluem o ressarcimento integral do dano ao erário, a perda da função pública, o bloqueio de bens e a responsabilização criminal por crimes contra a ordem tributária e a administração.

    O inquérito civil desdobra-se um mês após o deflagramento da Operação Valor Venal pela Polícia Civil, em setembro, quando quatro pessoas foram presas, quatro servidores da Sefaz foram afastados das funções e identificou-se que cerca de 700 imóveis tiveram o valor do IPTU reduzido em até 90%, provocando um rombo preliminar estimado em R$ 20 milhões.

    Auditoria da Sefaz

    Em nota encaminhada ao bahia.ba, a Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador (Sefaz) esclareceu que o inquérito civil instaurado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) para apurar fraudes no IPTU e na concessão de benefícios fiscais teve início a partir de uma denúncia formalizada pelo próprio órgão municipal.

    Segundo a pasta, “as irregularidades foram identificadas em fevereiro de 2026 após relatos e investigações conduzidas por meio de auditoria interna’.

    Confira a nota na íntegra:

    “A Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador (Sefaz) esclarece que o inquérito instaurado pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) tem origem em denúncia apresentada pela própria Secretaria à Polícia Civil, em fevereiro de 2026, após identificar irregularidades por meio de relatos e auditoria interna. As apurações apontaram indícios de fraudes envolvendo colaboradores e despachantes que se apresentavam indevidamente como procuradores, além de acessos não autorizados aos sistemas por terceirizados, posteriormente desligados. Na ocasião, os processos afetados foram revertidos, os valores recalculados conforme a legislação e os Processos Administrativos Disciplinares contra servidores encaminhados à Controladoria-Geral do Município (CGM).

    A Sefaz segue colaborando com a Polícia Civil nas investigações, que também são acompanhadas pelo Ministério Público da Bahia”.