Mensagens encontradas no celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelam detalhes da relação do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e do presidente nacional do partido, Antônio Rueda, com o banqueiro. O material integra uma proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). As informações são da coluna do jornalista Fabio Serapião, no portal UOL.
Na colaboração, Vorcaro afirmou que ACM Neto e Rueda atuaram para captar recursos de institutos estaduais de previdência para o banco, em troca de uma comissão de 10% sobre os valores aplicados. No entanto, as mensagens não comprovam pagamentos diretos de comissões aos dirigentes.
O Banco Master repassou R$ 5,4 milhões a uma empresa de consultoria de ACM Neto e R$ 6,4 milhões a escritórios de advocacia ligados a Rueda. A PF chegou a solicitar buscas em endereços relacionados aos dois políticos, mas o pedido não foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
ACM Neto aparece em encontros com banqueiro
As conversas mostram ACM Neto em reuniões com Vorcaro ao lado de Rueda e do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil-BA). Em setembro de 2024, os três passaram um fim de semana na casa do banqueiro, em Trancoso, no sul da Bahia.
No mês seguinte, ACM Neto pediu uma conversa com Vorcaro envolvendo também Rueda. Nove dias depois, escreveu ao empresário: “As coisas em Brasília estão consolidadas e, felizmente, saiu tudo como desejávamos na política”.
Na semana seguinte, Fabiano Zettel, operador financeiro de Vorcaro, informou que estava sendo procurado pelo empresário Marcos Moura, conhecido como “rei do lixo”. “Marcos Moura (ACM) me chamando. O que eu faço?”, perguntou. Vorcaro respondeu: “Pega com Gustavo / E Minas”.
Segundo a proposta de delação, ACM Neto recebia dinheiro em espécie por meio de repasses intermediados por Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Minas”. As mensagens citadas na reportagem não esclarecem valores nem o que teria sido entregue.
Captação no Amapá
Em novembro de 2023, Rueda e Vorcaro intensificaram os contatos para viabilizar negócios com institutos de previdência. Em abril de 2024, o diretor comercial do Master, Fernando Mascarenhas, escreveu: “Amapá, confirmado 400”, em referência a uma captação de R$ 400 milhões.
Em julho, durante a aprovação da operação, Rueda pediu a Vorcaro: “Apaga essas mensagens”. Cerca de uma hora depois, Mascarenhas informou a liberação de R$ 200 milhões.
Políticos negam irregularidades
ACM Neto classificou os vazamentos como “seletivos, manipulados e fora de contexto”. Ele negou ter atuado para direcionar investimentos previdenciários ao Master e afirmou que os valores recebidos decorreram de serviços de consultoria prestados regularmente, com emissão de notas fiscais e recolhimento de impostos.
Rueda declarou que sua relação com o banco era “eminentemente profissional” e afirmou que os serviços advocatícios foram prestados regularmente. Também criticou a divulgação de informações sigilosas que, segundo ele, foram retiradas de contexto para atingir sua reputação.

