Bruno Reis se pronuncia sobre crise dos ônibus no dia da eleição

    Prefeito atribuiu atrasos a adesivos eleitorais e negou ordem para reduzir frota em Salvador

    Bruno Reis ônibus Salvador
    Foto: Reprodução / Instagram

    O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), se pronunciou na tarde deste domingo (25) sobre as acusações de irregularidades na operação do transporte público durante o segundo turno das eleições presidenciais. Em manifestação encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) e durante coletiva de imprensa, o gestor negou que a Prefeitura tenha determinado a redução da frota e atribuiu os atrasos registrados durante a manhã a uma ocorrência envolvendo adesivos de propaganda eleitoral nos ônibus.

    A defesa informou ao TRE-BA que a gestão municipal adotou medidas para garantir a circulação integral dos veículos com gratuidade, conforme determinado pela Justiça Eleitoral. Como comprovação, foram apresentados o Decreto Municipal nº 42.498/2026 e os ofícios circulares nº 300 e 301 da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).

    Publicado antes do segundo turno, o decreto suspendeu a cobrança das tarifas entre 6h e 20h e determinou que o sistema municipal operasse com toda a frota normalmente disponibilizada nos dias úteis. A medida abrange ônibus convencionais, BRT, micro-ônibus do STEC e transporte hidroviário.

    Já os ofícios expedidos neste domingo determinaram às empresas Ótima Transportes e Plataforma Transportes o cumprimento imediato da operação de 100% da frota programada para dias úteis, mantendo itinerários, horários e frequências.

    Bruno Reis atribui atraso a adesivos eleitorais

    Durante a coletiva, Bruno afirmou que parte dos ônibus amanheceu com adesivos de propaganda eleitoral e que as empresas teriam tentado retirar o material para cumprir as regras do pleito.

     

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    “Hoje, na hora da saída dos ônibus da garagem, a grande maioria estava com adesivo de um determinado candidato. E, para cumprir a resolução, os empresários, os donos das empresas, determinaram a retirada dos adesivos. A retirada destes adesivos levou a um atraso da operação”, afirmou.

    Segundo o prefeito, quando a gestão percebeu que a situação poderia comprometer a oferta do serviço, determinou que os veículos fossem liberados mesmo com a adesivação. “A Prefeitura percebeu que isso iria comprometer todo o processo e, de imediato, determinou que os ônibus pudessem sair mesmo com adesivos de propaganda eleitoral”, disse.

    A gestão municipal afirmou que a operação teria sido normalizada por volta das 10h às 10h30 e, posteriormente, reforçada diante das reclamações. A versão apresentada pela Prefeitura também foi divulgada durante o dia. A administração municipal confirmou interrupções em garagens relacionadas a episódios de adesivação e afirmou ter determinado a liberação integral dos coletivos.

    Prefeito nega determinação para reduzir frota

    Bruno negou que tenha partido da Prefeitura qualquer orientação para diminuir a quantidade de ônibus nas ruas.

    “Não houve por parte da Prefeitura qualquer orientação para que a frota não fosse oferecida”, declarou.

    O prefeito também saiu em defesa do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, que teve a prisão em flagrante determinada pelo presidente do TRE-BA após as denúncias envolvendo a operação do transporte público.

    Segundo Bruno, Pablo é um quadro técnico e não possui vinculação partidária. O secretário está na França em agenda oficial e, de acordo com o prefeito, deverá retornar a Salvador nesta segunda-feira (26).

    “Caso a decisão judicial ainda esteja vigorando, não seja suspensa, ele vai se apresentar devidamente”, afirmou.

    TRE-BA determinou 100% da frota nas ruas

    A manifestação do prefeito ocorre após o TRE-BA determinar a recomposição imediata de 100% da frota de ônibus de Salvador, com frequência equivalente à praticada nos dias úteis. A decisão prevê multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento pela Prefeitura e pelas empresas responsáveis pelo serviço.

    O Ministério Público Eleitoral também realizou vistorias em garagens e encontrou 217 ônibus fora de operação em duas empresas, sendo 97 em uma delas e 120 em outra.

    Bruno ponderou que a presença de veículos em garagens não significa necessariamente que todos deveriam estar circulando. Segundo ele, parte dos ônibus integra a frota reserva ou já havia sido retirada de operação após a chegada de veículos novos. O prefeito afirmou ainda que os dados de GPS poderão ser divulgados para demonstrar os horários de saída e circulação da frota.

    “Não tem dificuldade nenhuma. Será disponibilizado”, garantiu.

    Bruno responde a relatos de demora à tarde

    Durante a coletiva, um jornalista relatou ter encontrado passageiros esperando entre 30 e 40 minutos por ônibus em bairros como Pirajá, São Caetano e Marechal Rondon por volta das 13h, mesmo após o horário em que a Prefeitura afirmou ter normalizado o serviço. Bruno respondeu que atrasos também podem ocorrer em dias úteis e que a reorganização do sistema após os problemas da manhã demandaria algum tempo.

    “Pode ter havido atraso dos ônibus como ocorre em dia de semana. […] Eventualmente você tem que considerar que até normalizar o serviço leva um tempo”, afirmou.

    O prefeito reiterou que, segundo os dados da gestão, a frota estava integralmente disponibilizada por volta das 10h30.

    Prefeito contesta pedido de prisão

    Ao ser questionado sobre os pedidos de prisão decorrentes do caso, Bruno classificou as medidas como “desarrazoadas” e afirmou que a Prefeitura adotou providências sempre que os problemas foram identificados.

    A Federação Brasil da Esperança também pediu ao TRE-BA a prisão em flagrante do prefeito e de responsáveis pelas empresas de ônibus, alegando descumprimento da decisão que determinou a recomposição do serviço. Até aquele momento, não havia ordem judicial de prisão contra Bruno Reis.

    Durante a coletiva, o prefeito também contestou a tentativa de comparar o episódio com operações realizadas pela Polícia Rodoviária Federal durante as eleições de 2022 e afirmou que respeitará o resultado das urnas independentemente do vencedor.

    “Existiu um problema pela manhã. Diferente de nossos adversários, que negam os problemas, nós não. Admitimos que existe. Agora existe o responsável culpado por esse problema ter ocorrido”, disse.

    Bruno defendeu ainda que a definição da gratuidade entre 6h e 20h está dentro das atribuições do Município e seria suficiente para atender ao fluxo de eleitores.

    O Decreto nº 42.498/2026 fixa exatamente esse intervalo e estabelece a circulação da frota de dias úteis durante o período.