Mercado ainda não está pronto para mudanças no VR e VA, diz Abrasel

    Mudanças estão previstas para ter início no dia 7 de novembro

    Interior do Bar Esperança, estabelecimento que concorre no "Comida de Favela", na Favela Parque União, Complexo da Maré, zona norte da cidade. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

    A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) afirmou que, apesar de defender a interoperabilidade entre de VRs (vales-refeição) e VAs (vales-alimentação), avalia que o mercado não está pronto para colocá-la em prática na data prevista, próximo sábado (7 de novembro).

    “A Abrasel sempre defendeu a interoperabilidade. Ela vai favorecer especialmente o consumidor, que terá mais facilidade e mais acesso aos estabelecimentos. O problema é que, até onde temos conhecimento, ela não vai funcionar em novembro. Os sistemas não estão integrados e as empresas não conhecem o sistema do governo”, afirmou Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

    Para o estabelecimento, a mudança não exige troca de equipamento e nem gera custo adicional, o problema é no “trilho voucher”, canal exclusivo para os vales. Segundo as próprias empresas de maquininhas, ele ainda não opera plenamente, e muitas transações acabam processadas como débito ou crédito.

    Empresas migram para “auxílio-alimentação”, que ficou de fora do decreto

    De acordo com a Associação, os bares e restaurantes estão taxas de 6% a 7%, e às vezes mais, para aceitar o auxílio-alimentação, que ficou fora do teto de 3,6% definido pelo governo no decreto publicado em fevereiro deste ano.

    Além do teto máximo de desconto, o decreto prevê teto da tarifa de intercâmbio – cobrança relacionada às operações entre os participantes do sistema – é de 2%. Já o repasse do valor pago pelo trabalhador aos estabelecimentos deve ser feito em até 15 dias corridos. 

    “Como já prevíamos, o tabelamento levou as empresas a migrarem para o auxílio-alimentação. A medida também dificultou enormemente a conciliação, porque o estabelecimento não sabe qual vale está recebendo nem se ele está sujeito ao decreto”, avalia Solmucci.

    Segundo a entidade, ela é contraria ao tabelamento e o teto faz com que os estabelecimentos que pagavam menos passassem a pagar mais. A Abrasel defendia uma solução de mercado, com a conta dividida entre quem concede o vale e quem o recebe.

    “O governo não foi na direção que defendemos, que é estimular uma concorrência mais plena no setor. A intenção foi boa, mas o resultado foi muita regra, pouco planejamento e uma confusão no mercado”, completa.