
O cantor Teddy Pherraz, vocalista da PlayWay, afirmou perceber uma resistência do mercado ao pagode baiano e relacionou parte dessa dificuldade ao preconceito contra a Bahia. A declaração foi feita durante entrevista ao Entrevista.ba, do Bahia.ba.
Ao comentar a dificuldade de artistas do gênero alcançarem maior projeção nacional, Teddy citou episódios de xenofobia contra nordestinos e disse acreditar que a música produzida na Bahia também enfrenta barreiras.
“Existe um preconceito com a Bahia, xenofobia que chama? Isso. Não necessariamente, não generalizando, todas as regras têm exceções, é óbvio. Existe uma resistência com a música baiana”, afirmou.
Teddy defende força do pagode baiano
Durante a conversa, o artista destacou a capacidade do pagode de dialogar com diferentes gêneros e defendeu a importância do ritmo dentro da música produzida no estado.
“Eu vou defender o meu pagode sempre. É impossível. Se toca, coloca um pagode qualquer, até na época da escola que a gente fazia na palminha da mão. É um ritmo incrível. Tudo que você bota no pagode fica melhor do que o ritmo de origem”, declarou.
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Teddy também citou Ivete Sangalo como exemplo da presença do pagode em projetos de artistas já consolidados nacionalmente. Para ele, a valorização do gênero por nomes de grande alcance ajuda a demonstrar a força do ritmo. Ainda assim, o cantor afirmou perceber dificuldade para que artistas do próprio cenário baiano consigam espaço de divulgação e visibilidade.
“Você vê até a gente mesmo aqui. A gente tem um tempo, a gente faz um trabalho maneiro, vou falar do meu trabalho, não sendo narcisista, mas você vê que existe uma resistência. Existe uma resistência de deixar até de aparecer”, disse.
Cantor descarta discurso de vitimismo
Apesar das críticas, Teddy afirmou que não pretende tratar as dificuldades enfrentadas pelos artistas como vitimismo. Segundo ele, a resposta precisa vir por meio da continuidade do trabalho. “Então isso é normal, eu acho que a gente tem é que trabalhar mesmo. Não tem um rolê de vitimismo”, afirmou.
O cantor também destacou a dimensão do Carnaval da Bahia e a experiência de se apresentar em cima do trio elétrico como exemplos da força cultural do estado. “Eles têm que ver o Carnaval como é extraordinário. A festa que a gente faz. Em cima do trio eu acho sensacional, gente, é uma loucura. Vocês não têm noção. A troca de energia é real”, contou.
Para Teddy, a resistência enfrentada pela música baiana pode até funcionar como parte do processo de amadurecimento dos artistas. “Quanto mais a gente sofre uma pressão ali, a gente se prepara. Isso é muito interessante no decorrer da caminhada da gente, os vales e os picos que a gente passa preparam a gente”, afirmou.
O cantor disse ainda que, neste momento da carreira, prefere assumir suas opiniões e identidade artística em vez de tentar agradar a todos. “Eu estou preferindo agora, nessa altura do campeonato, correr o risco de expor minhas ideias e ser quem eu sou do que ficar tentando vender uma coisa ou agradar pessoas que já não gostam de mim mesmo”, completou.


