A Câmara Municipal de Salvador (CMS) antecipou a eleição da Mesa Diretora para o biênio 2027-2028. A votação ocorrerá na próxima segunda-feira (9), às 14h30, no Plenário Cosme de Farias. O requerimento que acelerou o pleito foi assinado por 32 parlamentares e aprovado no plenário na última quarta-feira (4), registrando apenas três abstenções: dos vereadores Sílvio Humberto (PSB), Eliete Paraguassu (PSOL) e Marta Rodrigues (PT).
A antecipação foi convocada pelo presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), após reunião com o líder do governo, Kiki Bispo (União), o líder da oposição, Randerson Leal (Podemos), e o líder do bloco independente, Sidninho (PP).
“Foi uma mobilização da maioria dos vereadores e sou um político que preza a democracia. Portanto, estou tranquilo neste processo, pois é importante respeitar nesta Casa o desejo dos vereadores”, declarou Muniz.
PGR barra terceiro mandato de Carlos Muniz
A manobra de antecipação ocorre no momento em que as pretensões de reeleição de Carlos Muniz sofrem um parecer jurídico. A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou formalmente contra a recondução do tucano ao comando do Legislativo soteropolitano.
Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 1.356, o procurador-geral Paulo Gonet Branco defendeu a improcedência do pedido do PDT, que tentava liberar um novo mandato para a presidência.
Segundo a PGR, a ascensão de Muniz ao cargo por sucessão automática em 2023/2024 conta como exercício de mandato, o que impede juridicamente uma terceira gestão consecutiva.
No STF, o ministro relator Gilmar Mendes já havia indeferido o pedido liminar, reforçando que a mudança de legislatura não descaracteriza a limitação constitucional de apenas uma recondução.
Aleluia desponta como favorito na disputa
Com o impedimento legal do atual presidente, o vereador Alexandre Aleluia (Novo) emergiu como o nome mais cotado para assumir a Presidência da Casa. O parlamentar reúne o apoio de mais de dois terços dos vereadores para vencer a disputa.
Oposição lança manifesto contra o Novo
Apesar do favoritismo de Aleluia no plenário, a possibilidade de sua vitória provocou uma reação da oposição. O partido Rede Sustentabilidade lançou um manifesto público e um abaixo-assinado para pressionar os vereadores a vetarem a candidatura do parlamentar conservador.
O grupo argumenta que a direção do Legislativo deve preservar a pluralidade e os direitos humanos, impedindo que o comando da Casa seja transformado em instrumento de uma visão radical. Nas redes sociais, o ex-candidato ao Senado pela Rede, Marcelo Carvalho, assumiu o tom crítico ao alertar sobre a gestão das verbas da Casa.
“Quero colher milhares de assinaturas pedindo que os vereadores não apoiem o extremismo. Imagine a gente entregar uma arma poderosa ao extremista, é o orçamento de R$ 349 milhões por ano que está sendo entregue na mão daquele que quer lhe exterminar”, disparou Carvalho. O documento da legenda exige a divulgação transparente dos critérios políticos que orientarão a formação da nova Mesa Diretora.

