Olha o Duda Mendonça de novo em cena. E pensávamos que ele tinha sido esperto…

    A defesa do marqueteiro argumentou que ele cometeu o crime de sonegação fiscal, não o de lavagem de dinheiro, e que pagou o que devia ao Fisco: R$ 4,8 milhões

    Frase da vez

    “Está bem. Deus é brasileiro. Mas pra defender o Brasil de tanta corrupção só colocando Deus no gol

    Millôr Fernandes,  jornalista, dramaturgo e humorista (1923-2012)

    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
    Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

     

    Quando a Lava Jato pegou João Santana, o marqueteiro de Dilma, houve quem dissesse que Duda Mendonça, como se estivesse a prever o futuro, marcou um golaço ao pular fora das campanhas eleitorais no Brasil, após o escândalo do mensalão.

    Duda foi o marqueteiro da vitoriosa campanha de Lula em 2002, quando massificou o famoso Lulinha, paz e amor. Ele confessou, em 2005, na CPI dos Correios, ter recebido R$ 10,5 milhões pela campanha à eleição de Lula sob a rubrica de recursos “não contabilizados”, o caixa 2.

    A defesa de Duda argumentou que ele cometeu o crime de sonegação fiscal, não o de lavagem de dinheiro, e que pagou o que devia ao Fisco: R$ 4,8 milhões. E também que não tinha conhecimento da origem ilícita dos valores recebidos do PT e nunca tentou ocultá-los. Acabou absolvido no STF. Os ministros entenderam que não ficou demonstrado que ele tinha conhecimento da origem ilícita do dinheiro.

    Ressalte-se: nunca antes em tempo algum e em lugar algum alguém contratado para um serviço procurou saber o DNA do dinheiro recebido, mas Duda decidiu abandonar as campanhas eleitorais. Pensou que isso daria problema sério, um dia, e acertou.

    A Bahia sempre foi um celeiro de marqueteiros, escola puxada pelo próprio Duda. Ele saiu, nada mudou. Subiu ao topo um pupilo dele, João Santana, o Patinhas, agora preso acusado  de ocultar US$ 7,5 milhões em conta secreta no exterior. A PF investiga se ele foi pago por serviços prestados ao PT com dinheiro proveniente de propina da Petrobrás, via Construtora Odebrecht.

    E eis que, no meio desse fogo cruzado, Duda volta à cena. Fez delação premiada na PF, ainda sob análise do ministro Edson Fachin. Óbvio que a Lava Jato pouco ou nada vai trazer de novo. Apenas comprovar que o modelo político sempre foi esse, financiado com dinheiro que corria por baixo do pano. Mas o fato dele se sair do jogo no mensalão, apenas atenuou a participação.

    Com Duda, o foco é Lula, José Dirceu e Cia. Com o detalhe de que a Lava Jato deve pisar fundo também com os candidatos derrotados, antes e agora. Afinal, é tudo farinha do mesmo saco. E do jeito que a coisa está colocada, fica parecendo que a intenção é pegar o PT.