Bahia, terra de todos os nós
Da economia, da saúde, da educação... permeados pelo grande nó górdio do mundo contemporâneo: o da segurança pública

Quando o governador da Bahia definiu o slogan que iria marcar os quatro anos de sua gestão, substituindo o anterior, “Bahia, terra de todos nós”, pelo atual: “Bahia, terra mãe do Brasil”, com certeza, tinha consciência de que isso não seria suficiente para desatar todos os nós herdados dos seus antecessores e os que seriam urdidos no entrecruzamento das variáveis sócio-político-econômicas do seu governo.
Não tardou para que, independentemente dos exitosos esforços do nosso governante e da sua equipe de governo, ficasse claro que a “terra mãe do Brasil”, também, teria, um “governo de todos os nós”: o nó da economia, o nó da saúde, o nó da educação etc., permeados pelo grande nó górdio do mundo contemporâneo: o da segurança pública!
Nesse contexto, em nosso microcosmo, como reza a nossa superstição, o encontro do dia 13 com a sexta-feira, mais uma vez, mostrou-se realmente como um dia aziago, pois, além da Secretaria de Segurança Pública ter ultrapassado a marca dos 70 casos de homicídios registrados em Salvador e Região Metropolitana, a data foi marcada pelo incêndio criminoso de cinco ônibus e pela fuga de 38 detentos de um presídio e de uma cadeia de Salvador e Santo Antônio de Jesus.
Por certo, preocupado com os reflexos da crise penitenciária nacional, o governo do estado, em busca de respostas rápidas e efetivas para o problema, imediatamente, determinou a exoneração do diretor e do diretor-adjunto da Cadeia Pública do Estado da Bahia e, através da Secretaria da Segurança Pública, se pronunciou, informando que os incêndios dos coletivos têm relação com o combate ao tráfico de drogas que vem sendo feito pelas polícias Civil e Militar.
No que se refere aos incêndios, mesmo sem desconhecer o papel do uso de uma semântica seletiva, em notas oficiais, objetivando minimizar os efeitos negativos de uma notícia, quando a realidade é politicamente indigesta, confesso que considerei inadequada a associação do direito de manifestação com a estratégia diversionista, disfarçada de protesto popular, que, vez por outra, é adotada por certos grupos criminosos em várias cidades brasileiras.
Ações de movimentos sociais não podem ser equiparadas a ações de organizações criminosas
Que não se objete precipitadamente, alegando que a SSP-BA, no seu informe, ao pontuar que todo cidadão tem direito de se manifestar, também fez a ressalva quanto aos prejuízos causados a propriedades públicas ou privadas, pois, mesmo com a queima de ônibus não podendo ser aceita como uma das expressões da luta pelo direito humano ao transporte público, as ações dos movimentos sociais não podem ser equiparadas às ações utilizadas pelas organizações criminosas que constroem seu poder onde o Estado se omite, para manter o isolamento ou dificultar o acesso aos seus domínios.
Nessa ótica, apesar de estarmos diante de um evento multicausal, um fato é certo. Se já há um consenso na cúpula da segurança pública de que, onde houver um confronto entre bandidos e policiais, com mortes de criminosos, existe uma grande possibilidade de haver ataques a ônibus, não é necessário ser um grande estrategista em segurança, para saber que a polícia tem de agir, preventiva e repressivamente, nesses locais, visando coibi-los.
É óbvio que o governo do estado tem consciência de que não serão as puras e simples substituições dos diretores de estabelecimentos prisionais que irão solucionar o problema das fugas no sistema penitenciário, nem serão ações preventivas direcionadas para os locais onde ocorrerem confrontos letais entre delinquentes e policiais que irão pôr fim aos ataques aos ônibus. Mas, se nada for feito em relação a esses laços e embaraços, ficará cada vez mais difícil desatar os nós da segurança pública neste país.
A segurança pública é complexa e cara, com inúmeros problemas que não podem ser eclipsados pela fumaça dos ônibus incendiados, exigindo dos entes políticos um planejamento integrado e de longo prazo (e não de apenas para um ou dois mandatos), pois, sai muito mais caro gastar em paliativos inócuos…. Afinal, no esgarçado tecido social deste país, há incontáveis nós górdios a serem efetivamente desatados por administrações eficientes e inteligentes, através de uma gestão pautada em função dos resultados e com decisões baseadas em evidências, mesmo com os naturais erros e acertos, a exemplo do que temos observado no governo do nosso estado e no da sua capital.
E já que estou falando de nós, não custa lembrar que nem mesmo Alexandre, usando a agudeza da espada, desatou o nó górdio. Apenas cortou a corda. O nó e o problema de como desatá-lo ainda existem na antiga Grécia e, com certeza, aqui na Bahia, terra de todos os nós!
Mais notícias
-
Artigos11h01 de 14/06/2026
OPINIÃO: Se não corrigir meio-campo, Brasil não irá longe na Copa
As soluções que Ancelotti pode e deve pensar para a Seleção Brasileira sonhar com o hexa
-
Artigos16h56 de 21/05/2026
Como avaliar a confiabilidade de um portal de imóveis
No mercado imobiliário digital, o volume de acessos de um site não é o único fator que importa
-
Artigos10h51 de 06/05/2026
Chorar já não basta: Shakira, TST e julgamento com perspectiva de gênero
Artigo de opinião do advogado trabalhista Carlos Tourinho
-
Artigos16h32 de 02/05/2026
Como os detentores de XRP podem ganhar mais de 10.000 dólares por mês em renda passiva através [...]
A mineração em nuvem da FTMining, um modelo de renda ‘não baseado em negociação’, tem atraído a atenção e o interesse de muitos investidores
-
Artigos13h03 de 29/04/2026
OPINIÃO: Eleição na Bahia será novamente polarizada entre petismo e carlismo
Terceira via não tem força suficiente para influenciar decisivamente no debate público
-
Artigos17h54 de 22/04/2026
Prerrogativas são inegociáveis: o Caso Áricka Cunha e a necessidade de resposta exemplar
Artigo de opinião do advogado criminalista Luiz Augusto Coutinho
-
Artigos11h05 de 21/04/2026
Como os próximos jogos podem recolocar o Bahia na briga de cima do Brasileirão
Com o calendário apertado, a disputa do Brasileirão ganha corpo
-
Artigos08h51 de 16/04/2026
OPINIÃO: Fim da escala 6×1: entre direitos trabalhistas e disputa política
O debate também passa pela pergunta que costuma surgir em medidas de grande impacto social: quem será o "pai da criança"?
-
Artigos09h19 de 14/04/2026
OPINIÃO: Fim da 6×1 preocupa entidades baianas
Artigo escrito pelo empresário Carlos Falcão, fundador do grupo Business Bahia, e publicado originalmente no jornal A Tarde
-
Artigos18h55 de 23/03/2026
O que separa o Bahia competitivo do Bahia realmente convincente
Capaz de reagir e decidir sob pressão, o Bahia campeão estadual também oscila e ainda deixa a impressão de que pode render mais.










