Publicado em 25/05/2026 às 19h50.

Vandalismo no Caminho da Fé consumiu um terço dos gastos com restauração de monumentos

Segundo a Fundação Gregório de Mattos (FGM), foram gastos R$ 200 mil para recompor peças

Redação
Fotos: Jefferson Peixoto/ Secom PMS

 

A restauração das obras do Caminho da Fé, na avenida Dendezeiros, na Cidade Baixa, consumiu cerca de um terço dos R$ 603 mil investidos pela Prefeitura de Salvador em recuperação de monumentos públicos ao longo do ano passado. Segundo a Fundação Gregório de Mattos (FGM), foram gastos R$ 200 mil para recompor peças vandalizadas no corredor turístico e religioso inaugurado em 2020.

Das 28 obras produzidas pelo artista plástico Juarez Paraíso, com colaboração de outros 14 artistas, 22 precisaram ser refeitas após furtos e atos de depredação. As peças restauradas foram reinstaladas e entregues em janeiro deste ano.

Além das gravuras em aço inox, os 14 totens de madeira com base de granito também sofreram danos. Segundo a FGM, os equipamentos foram arrancados, riscados, pichados e usados até como depósito de lixo.

“As obras do Caminho da Fé foram totalmente restauradas após sucessivos atos de vandalismo registrados. O percurso artístico reúne 14 estações com 28 obras que retratam a história de Santa Dulce dos Pobres e a devoção ao Senhor do Bonfim. Apesar de fixadas com parafusos ocultos e protegidas por vidro, 22 peças foram furtadas, levando à reposição completa dos totens em madeira com as chapas de aço inox nas quais foram feitas as pinturas de Juarez Paraíso”, afirmou a gerente de Patrimônio Cultural da FGM, Roberta Santucci.

Diante dos episódios de vandalismo, a fundação iniciou o processo de tombamento das obras. A próxima etapa prevê a elaboração de um dossiê técnico que será encaminhado ao Conselho de Patrimônio Cultural para análise.

Aos 91 anos, Juarez Paraíso lamentou os danos provocados às obras logo após a inauguração do espaço. “Toda arte pública significa uma referência do bem cultural que a cidade tem e preza. Então, é necessário que haja uma preservação constante. Esse trabalho foi vandalizado duas vezes. Na primeira vez, logo após a inauguração, todas as efígies foram riscadas. É algo incompreensível”, disse o artista, integrante da Academia de Letras da Bahia.

Responsável pela reprodução e reinstalação das peças, o designer gráfico Washington Falcão afirmou que a recuperação ocorreu em duas etapas: restauração dos totens de madeira e produção de novas gravuras para substituir as furtadas.

“Foi feita uma nova gravação e instalação, agora, com mais cuidado, na tentativa de evitar novos furtos e depredações. Utilizamos bastante parafuso e uma base de inox para fixar as peças, para dar mais segurança”, afirmou.

O Caminho da Fé possui 1,1 quilômetro de extensão e conecta o Santuário Santa Dulce dos Pobres à Basílica do Senhor do Bonfim. O corredor foi entregue pela prefeitura em agosto de 2020, com obras de urbanização, iluminação em LED, drenagem e instalação de mobiliário urbano.

Juarez Paraíso explicou que cada totem reúne referências religiosas ligadas a Santa Dulce dos Pobres e ao Senhor do Bonfim.

“Cada totem é composto por três peças em aço e tem uma efígie, ou seja, o rosto de Irmã Dulce de um lado e o do Senhor do Bonfim de outro. No caso de Irmã Dulce, são frases ditas por ela e, no caso do Senhor do Bonfim, são textos sobre a vida dele, a relação com a população e com as festividades. Também há frases extraídas do Hino ao Senhor do Bonfim”, explicou.

“É um trabalho que realmente eu fiz com muito carinho e muita dedicação. Trata-se de dois santos poderosos, especialmente devotados. Santa Dulce é a primeira santa brasileira e, mais ainda, baiana”, acrescentou.

O artista afirmou ainda esperar que o processo de tombamento ajude a preservar o conjunto artístico. “É preciso zelar pelo tesouro artístico que é de toda a população”, concluiu.

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