Após denúncia de racismo, Inep afirma que gabarito oficial do Enem foi mudado por erro

    A polêmica foi criada acerca da questão da prova de inglês do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com uma citação do livro da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichi

    Foto: Gabriel Jabur/MEC

    O presidente do Inep, Alexandre Lopes, afirmou que não houve racismo em uma questão da prova de inglês do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aplicado nos últimos dois domingos (17 e 24 de janeiro) em todo Brasil.

    Em resposta ao G1, Lopes afirmou que a mudança na questão que cita o livro Americanah”, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichi, foi alterada porque tinha um erro, não por haver “questão de racismo”.

    “Não comentamos as questões. O que houve foi uma remissão errada. O gabarito não foi mudado por questão de racismo. O que houve foi a correção do gabarito”, disse ao site.

    A questão a qual o site e o presidente do Inep se refere é uma na qual o livro traz a seguinte cena: Duas mulheres negras conversam em um salão de cabeleireiro e a profissional, Aisha, recomenda que a cliente, Ifemelu, alise os fios para “ficar mais fácil de penteá-los”.

    A jovem não aprova a ideia e diz que gosta do seu cabelo natural, “como Deus o fez”. Em seguida a prova traz o trecho traduzido: “Não é difícil pentear se você hidratar corretamente “, disse ela [Ifelemu], assumindo o tom persuasivo que ela usava sempre que tentava convencer outras mulheres negras sobre os méritos de usar seu cabelo natural”.

    Entre as alternativas de resposta estavam: a) reforçam um padrão e beleza; b) retratam um conflito de gerações; c) revelam uma atitude de resistência; d) demonstram uma postura de imaturidade; e) evidenciam uma mudança de comportamento.

    Na primeira divulgação do gabarito oficial do Enem a resposta apontada como correta era a “d) demonstram uma postura de imaturidade”, quando a correção de outros institutos indicavam a “c) revelam uma atitude de resistência” como correta.

    Depois do questionamento do G1, o gabarito foi corrigido sob a alegação de “uma inconsistência no material”, segundo o Inep.