Mesmo com Exército nas ruas, ES acumula 87 mortes em cinco dias

    Com medo, população permanece em casa, maior parte do comércio está fechada e ônibus não circulam

    Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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    No quinto dia de paralisação da Polícia Militar no Espírito Santo, o movimento ainda era pequeno nas ruas de Vitória na manhã desta quarta-feira, 8. Com o transporte público e as aulas suspensos, poucas pessoas são vistas nas calçadas. Assustadas com a violência, as famílias preferem se trancar em suas casas.
    O patrulhamento na capital capixaba, que desde a noite de segunda-feira (6), é feito por soldados do Exército, também é reduzido. O comércio na cidade vai sendo retomado aos poucos.

    Em policiamento efetivo desde sábado (4),  e o estado já registrou 87 mortes violentas, conforme o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo. A Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) ainda não tem um balanço. A reportagem do jornal Estado de SP.  percorreu cerca de oito quilômetros entre Vitória e Vila Velha por volta das 8h30 desta quarta-feira  (8) e avistou patrulhas do Exército apenas na Praia da Costa, na região próxima à residência oficial do governador, Paulo Hartung (sem partido).  Agentes da Força Nacional de Segurança, que chegaram ao Espírito Santo nesta terça-feira (7) não foram vistos no trajeto.

    Hartung está de licença médica, mas a expectativa é de que ele se pronuncie nesta quarta-feira. O governador passou por operação em São Paulo na última sexta-feira, 3, no Hospital Sírio-Libanês para a retirada de um tumor na bexiga. Ele voltou a Vitória na terça-feira. Por meio de suas famílias, os PMs continuam tentando negociar com o governo a volta ao trabalho. Nesta quarta deve haver nova reunião entre as partes. O governo sustenta que não vai negociar enquanto os policiais não voltarem a seus postos.

    A categoria reivindica reajuste salarial e denuncia falta de pagamento de auxílio-alimentação, adicional noturno e por periculosidade, além de más condições da frota de veículos empregada no patrulhamento. Familiares de PMs seguem posicionados na frente de batalhões na Grande Vitória e em cidades do interior para impedir a saída dos PMs e de carros. A sensação de insegurança é grande, e os cidadãos se dizem reféns dos criminosos. Nas redes sociais, há relatos de vizinhos que contrataram segurança armada para seus prédios, como forma de afastar assaltantes.