Número de travestis e mulheres trans mortas aumentou 41% em 2020, aponta Antra

    Dado consta em dossiê divulgado nesta sexta-feira (29), quando é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans

    Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

    O número de travestis e mulheres transexuais mortas no Brasil em 2020 foi 41% maior do que o registrado no ano anterior. O dado consta em dossiê elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgado nesta sexta-feira (29), quando é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans.

    Foram 175 travestis e mulheres transexuais assassinadas no ano passado. Em 2019, foram registrados 124 homicídios desse grupo. O volume de mortes notificadas em 2020 é recorde em quatro anos, desde quando o levantamento passou a ser coletado.

    De acordo com o relatório, o maior número de registros de assassinatos de mulheres trans foi em São Paulo. Ceará, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro aparecem em seguida. Se observar por região, a maior concentração de casos está no Nordeste, com 43% dos óbitos.

    Sessenta e cinco porcento das vítimas trabalhavam como prostitutas e 71% dos assassinatos ocorreram em locais públicas. Do ponto de vista racial, 78% foram identificadas como pessoas negras, sendo pretas ou pardas. Metade das mortes foram causadas por arma de fogo, 77% tiveram requinte de crueldade e 72% dos homicidas não tinham relação com a vítima.

    A Antra se baseia em notícias veiculadas na mídia para elaborar o dossiê. Entre as vítimas, destaque para as travestis que se prostituem e que são negras e periféricas. Não há relatos de casos de assassinatos de homens trans.

    “As travestis e mulheres trans enfrentam violências por ousarem reivindicar seu lugar de mulher”, avalia a secretária de Articulação Política da Antra, Bruna Benevides, segundo informações do UOL Universa.

    Na avaliação da ativista, a escalada da violência se relaciona com o ambiente político do país. Bruna fala em “campanha de ódio” que chamam de “combate à ideologia de gênero”.

    O relatório mostra também que a pandemia de coronavírus agravou as desigualdades vividas por travestis e mulheres transexuais. Setenta porcento delas não conseguiram acesso às políticas emergenciais e o número de suicídios aumentou.