Publicado em 05/08/2020 às 06h34.

Bolsonaro pagou apenas um terço do previsto para programa de manutenção do emprego

Dados do TCU mostram que programa criado em abril para ter "vigência de três meses" ainda não havia consumido o grosso de sua verba em meados do terceiro mês

Redação
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

 

O governo de Jair Bolsonaro apresentou o o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda como uma das suas principais iniciativas para aliviar os efeitos da pandemia do coronavírus, que provoca a Covid-19.

Contudo, até o mês de julho, pagou apenas um terço do total previsto para o benefício. Segundo dados do Tribunal de Contas da União (TCU), obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo, dos R$ 51,6 bilhões reservados em orçamento, R$ 16,5 bilhões (32%) foram efetivamente desembolsados para complementar os ganhos de brasileiros que tiveram os contratos de trabalho suspensos ou os salários cortados, com correspondente redução de jornada.

A auditoria do TCU considera baixa a execução dos recursos, tendo em vista principalmente que o programa foi criado em abril para ter “vigência de três meses”, mas não havia consumido o grosso de sua verba em meados do terceiro mês.

Relatório do tribunal sobre o desempenho da política pública, cujo julgamento está previsto para esta quarta-feira (5), aponta ainda possíveis fraudes, como o pagamento de benefícios a pessoas mortas antes mesmo do acordo de redução salarial ou de suspensão do contrato ser feito.

Também foram apurados casos de trabalhadores recebendo por múltiplos vínculos de emprego, até nove numa mesma empresa.