Publicado em 23/04/2020 às 06h54.

Chefe da PF de SP retorna ao trabalho com 6kg a menos e relata pavor pelo coronavírus

Após 16 dias, delegado diz que quase morreu; toda a cúpula da Polícia Federal no estado foi infectada

Redação
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

 

Após 16 dias internado e com 6 kg a menos, o chefe da Polícia Federal de São Paulo retornou ao trabalho na quarta-feira (22) e relatou ter pavor do novo coronavírus (Covid-19), que provocou seu afastamento.

Em entrevista à coluna Painel, da Folha de São Paulo, ele revelou que quase morreu. Além dele, toda a cúpula da PF no estado (outros três delegados e a corregedora) foi infectada.

“É uma doença pavorosa, que te suga. Quase fui parar do outro lado. Comecei um resfriado, depois no terceiro dia, perdi paladar e olfato, iniciou uma tosse pavorosa, não conseguia falar. Fiquei dois dias em casa, sem comer, a respiração ficou curta e ofegante. Depois de dois dias, tentei comer uma sopa, para o organismo resistir. Na primeira colherada, eu vomitei a uma colher e vomitei o que não tinha no estômago”, relatou Filho.

Ele contou ainda como foi a ida ao hospital, já sem forças. “Vi que tava muito ruim, procurei um hospital [não quis mencionar o nome]. Cheguei desfalecido. Fui levado por um colega, porque eu não conseguia mais me locomover. Cheguei lá e fizeram exame de Covid-19, que deu positivo, e a tomografia, deu pneumonia e, nos dois pulmões, o que eles chamam de vidro fosco. O médico me relatou que eu cheguei nos 45 do segundo tempo”, disse.

Na entrevista, o chefe da PF de SP também relatou sobre o tratamento obtido para conseguir se recuperar da doença provocada pelo vírus, após ficar no semi-intensivo.

“Tomei uma medicação bastante pesada por 13 dias, inclusive injeções na barriga, que são anticoagulantes, para não dar embolia pulmonar. Tomei antibiótico e tudo o mais. Em 13 dias, eu perdi 6kg. Fiquei ao todo 16 dias internado, os três últimos eu voltei a me alimentar. Recebi alta, fiquei mais cinco dias em casa. Saí do hospital extremamente tonto. Na data de hoje, antes de vir trabalhar, eu fiz os dois exames, ambos revelaram que eu não tenho Covid-19, que criei anticorpos e não transmito mais para ninguém”, explicou.

“Eu peguei uma carona no barco de Hades, cujo barqueiro, na mitologia grega, é o Caronte, que transporta as almas, do mundo dos vivos para o mundo dos mortos. Só que para atravessar, você tem de pagar duas moedas, e eu estava no momento sem as moedas, e aí não paguei o barqueiro. Ele vendo que eu não tinha [as moedas], me fez descer do barco. Essa é a brincadeira que tenho contato pros meus amigos, para dizer o que ocorreu comigo”, concluiu.



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