Diretora do Couto Maia critica fala de jornalista sobre o Nordeste: ‘Preconceito mata’

    Vera Magalhães se posicionou sobre o assunto e alegou ser vítima de "distorção das informações" e "criação de falsas polêmicas para desviar o foco do que é dito"

    Foto: Carol Garcia/GOVBA e Reprodução/TV Cultura

    Após viralizar na internet um trecho da participação da jornalista e apresentadora do programa Roda Viva, Vera Magalhães, no Jornal da Cultura de quinta-feira (18), onde ela fala que conversou com um “médico do Sírio-Libanês, um hospital da elite de São Paulo, não de um hospital público no meio do Nordeste”, ao se referir sobre o colapso no sistema de saúde do Brasil em meio à pandemia do novo, e ter gerado críticas nas redes sociais por supostamente ter cometido xenofobia, a diretora do Instituto Couto Maia, a infectologista Ceuci Nunes, rebateu a declaração e afirmou que “preconceito mata”.

    Nunes afirmou que no Couto Maia estão sendo feitos mais de 40 estudos sobre a Covid-19 em parceria com diversas instituições e reiterou que a região Nordeste tem a menor taxa de letalidade da doença no Brasil.

    “Sou infectologista e Diretora do Instituto Couto Maia na Bahia. Estamos fazendo mais de 40 estudos sobre COVID em parceria com diversas instituições. O NE tem a menor taxa de letalidade do Brasil e a Bahia e o Maranhão entre todos os estados. Preconceito mata”, escreveu Ceuci em seu perfil no Twitter, respondendo ao trecho do vídeo.

    Vera Magalhães Após a polêmica, a jornalista se pronunciou sobre o caso e publicou o vídeo completo de sua aparição no telejornal. Vera explicou que no debate quis dizer sobre o caos não está mais restrito às regiões pobres do país e à rede pública, pois ele chegou aos hospitais de elite de São Paulo e alegou que foi vítima de distorção das informações do vídeo e criação de falsas polêmicas para desviar o foco do que é dito. “Quando jornalistas, formadores de opinião, progressistas em geral, distorcem vídeos e criam falsas polêmicas para desviar o foco do que é dito — uma crítica à inépcia e à gestão criminosa da pandemia por parte do governo federal — a quem servem? O que fazem com o espaço cívico? Nem os jornalistas em geral nem eu, em particular, somos à prova de crítica, mas existe um tipo específico de linchamento a jornalistas, que atinge sobretudo mulheres, que iguala quem o pratica ao pior do ódio bolsonarista. Deixamos que esse modus operandi seja a tônica aqui”, escreveu ela, em uma sequência de mensagens.