O governador João Doria (PSDB) anunciou nesta segunda-feira (30) que a cidade de São Paulo vai regredir para a fase amarela do Plano São Paulo. A medida valerá também para outras regiões do estado que já estavam na fase verde. Com a decisão, comércios e serviços vão voltar a funcionar menos horas por dia, segundo o jornal Folha de S. Paulo.
Segundo a publicação, a regressão de fase foi anunciada um dia após a eleição do segundo turno da capital paulista, vencida por Bruno Covas (PSDB) —o prefeito reeleito apoiado pelo governador do estado, João Doria (PSDB).
A capital, neste momento, encontra-se na fase 4, verde, a mais branda em termos de restrições, assim como as regiões de Campinas, Sorocaba e Baixada Santista, totalizando 76% da população do estado. Outra parcela grande de São Paulo está na fase 3, a amarela. Ao todo são cinco fases.
Ainda não se sabe se haverá alterações no que era permitido na fase amarela, bem como o horário de funcionamento e a ocupação de comércios e serviços.
Especialistas vinham alertando para a expansão preocupante da Covid em São Paulo.
Segundo dados da Secretária do Estado de Saúde, as internações, no sábado (28) foram quase 20% superiores às de 28 dias atrás.
Novas internações em UTI ou enfermarias por casos confirmados ou suspeitos de Covid têm aumentado na Grande São Paulo desde ao menos os primeiros dias de novembro.
Os pacientes internados em leitos de UTI chegaram, neste sábado, a cerca de 2.463 (média móvel de 7 dias). Trata-se do maior valor em pelo menos dois meses (outubro e novembro).
Também vem crescendo a ocupação proporcional dos leitos de UTI na Grande São Paulo, onde a taxa chegou a 58%.
O governo estadual e o municipal, contudo, resistiram a uma reanálise imediata da situação paulistana, apesar da crescente ocupação em hospitais privados de referência de leitos destinados a pacientes com o novo coronavírus.
Os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês foram alguns dos que tiveram aumento recente nos casos de Covid, acendendo um alerta entre médicos em um momento em que as medidas de prevenção contra a doença, como distanciamento social, evitar aglomerações e usar máscaras vêm sendo continuamente desrespeitadas.
Durante a corrida pela prefeitura da capital paulista, os próprios candidatos causaram e participaram de aglomerações. Boulos, na semana que se encerrou, recebeu diagnóstico de Covid após um período de intensificação de contatos na campanha. Covas fora infectado anteriormente e ficou assintomático.
Questionado sobre o agravamento da pandemia em São Paulo tanto por jornalistas quanto por Boulos, seu adversário de pleito, Covas repetiu continuamente, nas semanas seguintes ao primeiro turno, dia 15, que a situação era estável.
“Há uma estabilidade da pandemia na cidade de São Paulo”, disse no sábado (28), além de condenar a desconfiança em relação aos dados da vigilância sanitária.
“A gente teve um aumento na quantidade de internações, mas há estabilidade em relação ao número de casos e óbitos. Desacreditar a vigilância sanitária é como desacreditar os dados do Inpe que apontam aumentos de queimada no Brasil. Esse tipo de ação é que partidariza e politiza um trabalho feito pelos técnicos da prefeitura”, disse.

