Entidades do comércio apoiam protocolos, mas querem discutir pontos

    Presidente da Fecomércio-BA, Carlos Andrade destaca articulação entre estado e prefeitura e vê sobrecarga em Salvador

    Foto: Cesar Vilas Boas/divulgação

    Duas das principais entidades empresariais do comércio reafirmaram ao bahia.ba o apoio ao protocolo de retomada da economia adotado na Bahia e em Salvador. As regras foram apresentas no final da manhã pelo governador Rui Costa e pelo prefeito de Salvador, ACM Neto. Tanto shoppings centers como o comércio de rua estão na primeira fase, que é condicionada a uma redução da demanda por leitos de UTI para pacientes Covid-19 para um nível abaixo de 75%.

    Tanto a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) como a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-BA) querem, contudo, rediscutir alguns pontos. Para o presidente da Fecomércio-BA, Carlos de Souza Andrade (foto), houve um peso maior no aspecto da UTI e menos na segurança que o comércio têm a oferecer.

    “Salvador já tem infraestrutura para reabrir, mas vem recebendo pacientes do interior. É o comércio de Salvador que vai pagar esta conta?”, questiona o executivo. “Quem mais tem interesse na segurança são os lojistas e os shoppings. É o que teremos a oferecer”, frisa.

    A entidade pretende analisar detalhadamente os protocolos e apresentar ponderações na próxima reunião com o poder público. Há cerca de 8 semanas, a entidade têm encontros regulares entre a sexta-feira e o domingo com o prefeito ACM Neto ou com os secretários de Desenvolvimento Urbano, Sérgio Guanabara, e da Casa Civil, Luiz Carreira.

    Carlos Andrade – que conversa também com o secretário de Planejamento do Estado, Walter Pinheiro – vê no entendimento entre as duas esferas de governo um diferencial positivo no cenário baiano. Ele também revelou a expectativa de a demanda por UTI ser reduzida abaixo de 75% ou até mesmo 70% com o anúncio de que 75 novos leitos serão abertos na capital até o final do mês.

    Shoppings

    Para o coordenador regional da Abrasce, Edson Piaggio, “não há outra atividade com protocolo mais seguro” do que os centros de compra. “Onde os shoppings foram reabertos a curva de contágio não mudou”, disse, lembrando que o setor utilizar como base do protocolo um trabalho da Abrasce nacional avalizado pelo hospital Sírio Libanês.

    Piaggio destaca que já há centros de compras operando há mais de dois meses, inclusive na Bahia. Mas endossa a preocupação com as questões sanitárias, sobre as quais, reitera, só as autoridades podem avaliar. “Não temos as condições de acompanhar as taxas de ocupação das UTIs bem como as projeções. Foge ao nosso controle.”

    O coordenador pretende rediscutir aspectos pontuais do protocolo, mas sua preoucpação maior é de que, quanto mais tempo demorar a retomada, mais difícil será. Primeiro porque o público tende a ser reduzido. Onde os shoppings já voltaram, o fluxo inicial é de 30% a 35% do movimento pré-pandemia. “É preciso saber se o lojista vai ter fôlego para reabrir”, conclui, destacando as dificuldades que as empresas enfrentam para tomar crédito.