Publicado em 28/10/2020 às 13h51.

Líder do governo defende volta à ‘normalidade’ para país atingir imunidade de rebanho

A favor do retorno das aulas, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) afirma que o número de mortes vem caindo porque o sistema de saúde está estruturado

Redação
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

Líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR) defendeu nesta quarta-feira (28) o retorno “à normalidade” no Brasil, com “isolamento vertical”, com cuidados especiais somente para idosos e imunodeprimidos. A afirmação foi feita durante uma reunião na Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 da Casa.

Na ocasião, médicos ouvidos pelo colegiado se disseram favoráveis da a volta imediata às aulas presenciais. Não participaram do debate especialistas ou parlamentares com opiniões divergentes, segundo informações da Agência Câmara de Notícias.

Médicos ouvidos nesta quarta (28) pela Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 da Câmara dos Deputados  defenderam a volta imediata às aulas presenciais no Brasil. Não participaram do debate especialistas ou parlamentares com opinião divergente, segundo informações da Agência Câmara de Notícias.

“Dessa forma adquiriríamos imunidade de rebanho, encerraríamos a pandemia e faríamos um plano de retorno à economia sustentável a médio e longo prazo”, afirmou Barros, que foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer (MDB).  Segundo ele, o Brasil já estruturou o sistema de saúde, e o número de óbitos vem caindo.

Imunidade de rebanho

Médico na Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Alexandre Chieppe se mostrou preocupado com o uso do termo imunidade de rebanho – conceito usado por infectologistas para definir o percentual da população que teve contato com o vírus e desenvolveu imunidade à doença e, desta forma, protegeria o restante da população.

Ele disse que não há como medir esse percentual e ressaltou que especialistas divergem sobre qual percentual deveria ser atingido para proteger o restante da população, com variações entre 20% e 80% da população.

“Por isso, a discussão que tem que ser feita é a da flexibilização responsável”, opinou. Isso significa, conforme ele, expor primeiro as pessoas de menor risco. “Temos que retomar a economia e discutir a volta responsável às aulas”, continuou. O médico ressaltou o baixo risco de adoecimento e complicações em crianças por Covid-19.

Saúde mental

Presidente da comissão, deputado Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP-RJ) também defende a retomada com segurança das aulas, especialmente por conta do abalo psicológico das crianças e adolescentes e a falta da alimentação escolar. Ele salientou que nenhum país fechou as escolas por tanto tempo como o Brasil.

A relatora do colegiado, deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), também acredita que é preciso estruturar as escolas para que o retorno às aulas seja feito com segurança.

O diretor do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da USP, Anthony Wong, é defensor do isolamento vertical desde o início da pandemia, sem fechamento das escolas, e considera o chamado lockdown “uma política insensata”. Ele disse que alguns países asiáticos adotaram de forma bem sucedida essa estratégia do isolamento apenas vertical, com o uso de máscaras generalizado. Também favorável à volta imediata das escolas, Wong destacou que as crianças são menos suscetíveis à infecção e conseguem eliminar o vírus mais rapidamente.

Segunda onda

O médico ressaltou que, na segunda onda de contaminações na Europa, o número de mortes é proporcionalmente menor e avaliou que, se ocorrer uma segunda onda de Covid-19 no Brasil, ela ocorrerá em maio. “Temos seis meses para nos preparar  e para desenvolver imunidade coletiva”, afirmou.

Ele acrescentou que a exposição ao sol e a saúde mental ajudam na imunidade, assim como o uso de máscaras, já que, dessa forma, as pessoas recebem quantidade menor de vírus e vão adquirindo imunidade.

Imunidade celular

Anthony Wong chamou a atenção para estudo da universidade britânica Imperial College de Londres, divulgado pela imprensa nesta quarta-feira, indicando que a quantidade de anticorpos adquirida contra o novo coronavírus pelas pessoas que contraíram a Covid-19 diminui substancialmente em poucos meses. Mas, segundo Wong, a “imunidade celular,” não detectada por meio de exames laboratoriais, é permanente.

Essa também é a visão do infectologista Paolo Zanotto, que acrescentou que casos de reinfecção por novo coronavírus devem ser raros.  Ele disse que há queda de anticorpos contra a doença, sim, depois de um tempo, mas isso não quer dizer que as pessoas não estejam protegidas, já que “as células de memória serão reativadas” com nova exposição ao vírus.