Publicado em 14/04/2020 às 10h32.

Misteriosa queda abrupta de casos na África do Sul intriga especialistas

Previsto por autoridades de saúde, "tsunami" de infecções por coronavírus não se concretizou no país, diz reportagem da BBC

Redação
Foto: Creative Commons
Foto: Creative Commons

 

Nas últimas duas semanas, a África do Sul passou por uma situação excepcional que os médicos ainda não conseguem explicar: uma queda brusca e inesperada na taxa diária de novas infecções pelo novo coronavírus, destaca reportagem da site da BBC.

De acordo com a publicação, um sinal claro do cenário está hospitais do país, que tinham se preparado para receber um volume alto de pacientes.

Os leitos e enfermarias estão prontos para tratar possíveis casos de Covid-19, cirurgias não urgentes foram remarcadas e ambulâncias foram equipadas, enquanto equipes médicas vêm ensaiando protocolos sem parar e autoridades de saúde passam longas horas em reuniões pela internet preparando e ajustando seus planos de emergência.

Segundo a reportagem, até agora, contra a maioria das previsões, os hospitais sul-africanos permanecem tranquilos: o “tsunami” de infecções que muitos especialistas previram não se concretizou. Pelo menos, ainda não.

“É meio estranho, misterioso. Ninguém sabe ao certo o que está acontecendo”, disse à BBC Evan Shoul, especialista em doenças infecciosas de Johanesburgo.

Tom Boyles, outro médico de doenças infecciosas, do Hospital Helen Joseph, um dos maiores centros de saúde pública de Johanesburgo, afirmou à publicação que todos estão “um pouco perplexos”.

“Estamos falado que é a calma antes da tempestade há cerca de três semanas. Estávamos preparando tudo aqui. E essa tempestade simplesmente não chegou. É estranho.”

Conforme a reportagem, Os especialistas em saúde alertam, no entanto, que é muito cedo para interpretar a falta de casos como um progresso significativo no combate à epidemia e estão preocupados com o fato de que isso pode até mesmo gerar um perigoso sentimento de complacência.

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, sugeriu que as duas semanas de isolamento no país até agora são responsáveis por estes índices. O mandatário prorrogou ainda a vigência das restrições em todo o país, que deveriam terminar em uma semana, para o final do mês.

Países que também impuseram quarentenas, por outro lado, não obtiveram resultados semelhantes.

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