Publicado em 04/03/2021 às 08h13.

Pandemia vive pior momento, mas população não está consciente, diz associação médica

Na quarta (3), país nofificou 1.910 mortes pelo coronavírus em 24 horas, o pior balanço desde o início da pandemia

Redação
Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/ Fotos Públicas
Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real/ Fotos Públicas

 

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), César Eduardo Fernandes, diz que a população brasileira parece não estar consciente da gravidade da pandemia do novo coronavírus.

O país vive uma fase crítica da pandemia de Covid-19, com um balanço de quase 260 mil mortos, o colapso do sistema de saúde de vários estados, a vacinação avançando lentamente, enquanto muita desinformação é propagada sobre as medidas de prevenção contra a doença.

Segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), na quarta-feira (3), o Brasil registrou oficialmente 1.910 mortes por Covid-19 em 24 horas, o pior balanço desde o início da pandemia. Junto com o alto número de mortos e contaminados, os hospitais e UTIs enfrentam superlotação, enquanto não há previsão para a ampliação da vacinação.

“O nosso sentimento é de extrema preocupação. Passado um ano da pandemia, nós que imaginávamos que nesse período já teríamos dias melhores e um cenário mais esperançoso, estamos no pior momento”, afirma Fernandes.

Em entrevista à RFI, Fernandes aponta três possíveis motivos para o comportamento de quem ignora o atual momento. “A impressão que eu tenho é que muitas as pessoas pensam que não serão contaminadas. Também acho que há a exaustão: não são só os médicos e os profissionais de saúde que estão exaustos, mas a população também. O terceiro ponto é que imaginávamos no final do ano passado que nessa época estaríamos nos despedindo da pandemia porque nossos números eram declinantes e todos se prepararam para voltar à vida normal. Ou seja, há um descompasso entre a expectativa que a população tinha e a realidade que vivemos”, diz.

Fernandes alerta que a situação tende a piorar nos próximos dias e semanas, com o aumento do balanço de vítimas. Segundo ele, a chegada das variantes traz ainda mais incertezas ao prognóstico da pandemia.

“É natural que os vírus sofram mutações e é o que está acontecendo com o coronavírus. Essas novas cepas, ao que tudo indica, são muito mais virulentas do que a anterior, e oferecem evolução para casos mais graves. Além disso, se especula sobre a eficácia das vacinas sobre essas novas cepas. Então, todo esse cenário mostra que esse é o pior momento da pandemia que estamos vivendo”, declarou.

Vacinação lenta preocupa

N entrevista à RFI, o presidente da AMB elogia o cronograma de vacinação do Brasil, que está imunizando de forma prioritária os profissionais de saúde e as populações mais vulneráveis, como idosos e pessoas com comorbidades. A tarefa, no entanto, se mostra complexa.

“Temos uma população gigantesca e o número de vacinas disponíveis é muito baixo. Vacinamos um percentual pequeno da população – entre 2% e 3%. As notícias, ainda que desencontradas, sobre o número de vacinas que teremos, nos próximos meses, nos deixam claro que não teremos doses suficientes para atender à toda a população brasileira”, afirma Fernadez.

Para ele, essa lentidão da vacinação no Brasil mostra que a imunização populacional é uma meta ainda longe de ser atingida: uma situação que classifica de “preocupante”.

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