Campos Neto diz que é preciso ter credibilidade para baixar juros

    Em audiência no Senado, presidente do BC citou inadimplência, baixa taxa de poupança e percepção de riscos como causas da Selic ser mantida em 13,75% ao ano

    Foto: Pedro França/Agência Senado

    O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira (25), em audiência no Senado, que a redução dos juros básicos no Brasil só surtirá o efeito benéfico para a economia esperado se ela tiver credibilidade no mercado, o que para o gestor da autoridade monetária significa ter base técnica. Indagado pelos senadores, Campos Neto citou causas para a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano a inadimplência, baixa poupança, dívida bruta acima da média e percepção do risco.

    “Escuto que se abaixar a Selic melhoram as condições de crédito. Não. Vai melhorar se eu tiver credibilidade com o que faço na Selic. Eu controlo os juros de um dia [Selic], e todo o resto da curva de juros é determinada pelo preço que as pessoas querem emprestar ao governo”, defendeu. Indicado ainda no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o executivo negou motivação política. “Nunca na história desse país, nem na história do mundo, foi feito um movimento de aumento de juros tão grande no período eleitoral”

    Proponente da sessão, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), destacou que o BC tem autonomia – conforme lei aprovada na gestão passada -, mas não independência. ” Se tivesse independência, o Banco Central poderia estabelecer, ele próprio, a meta de inflação a ser alcançada. Não é o caso, nossa meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional, controlado pelo Executivo. Cabe ao Banco Central perseguir tal meta. E sua autonomia se resume a decidir como aplicar os instrumentos a sua disposição”.

    Segundo Campos Neto, o BC gosta de trabalhar com juros baixo, mas ele não tem como prevê quando a Selic vai reduzir. “Eu não tenho capacidade, até porque eu sou um voto dos nove, de dizer quando isso (corte dos juros) vai acontecer. Mas eu acho que a gente tem explicado que é um processo técnico, que tem o seu tempo e que as coisas têm caminhado no caminho certo.”  Com informações do G1.