Especialista da Fieb avalia que refinaria manterá papel de destaque na indústria baiana

    Danilo Peres observou, em contato do bahia.ba, que Rlam será o principal ativo do Fundo Mubadala no Brasil

    Foto: divulgação Fieb

    Especialista em Desenvolvimento Industrial da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Danilo Peres afirmou ao bahia.ba que a refinaria Landulpho Alves “certamente vai continuar sendo o principal ativo da indústria da Bahia” caso seja vendida para o fundo Mubadala. O negócio foi confirmado pela Petrobrás na segunda-feira (8) e envolve US$ 1,65 bilhões (R$ 8,8 bilhões). Peres adverte que as mudanças para a indústria baiana de um empreendimento que representa 30% da transformação industrial do estado vai depender da direção dada pela empresa compradora, mas avalia que, sendo o principal ativo do grupo dos Emirados Árabes Unidos no Brasil, a tendência é que a refinaria receba mais investimentos.

    “Acreditamos que há ainda potencial de crescimento da produção, principalmente com o novo desenho do mercado, onde cada refinaria disputará vendas no país de forma independente, abrindo a competição na produção e consumo de derivados de petróleo”, destacou o especialista. A Petrobrás espera vender mais sete refinarias, para compradores diferentes. Estas transações dependem de aprovação dos órgãos reguladores, inclusive a privatização do equipamento baiano.

    Peres observou que, priorizado pelo plano de investimentos da estatal petrolífera, o pré-sal absorve “quase toda a capacidade atual de geração de caixa”da companhia, deixando os investimentos em refino em segundo plano. “A RLAM, por exemplo, que em 2014 chegou a processar mais de 300 mil barris/dia (93% de sua capacidade) no ano passado (2020) processou apenas 248 mil barris/dia (76% de sua capacidade), portanto bem abaixo do desejável”.

    A refinaria baiana tem receita líquida de vendas da ordem de R$ 30 bilhões, gerando cerca de R$ 6 bilhões em impostos em 2019, com emprego direto de mais de 1.000 trabalhadores. O complexo fabril inclui o Terminal de Madre de Deus, que movimenta cerca de 20 milhões de toneladas/ano, uma fábrica de asfalto, uma central termelétrica, uma estação de tratamento de efluentes e um sistema de tratamento de água. Por isso, estima-se que seu valor de venda pudesse chegar a US$ 4 bilhões (R$ 21,6 bilhões).

    Da sua parte, Danilo Peres entende que o maior benefício da venda da refinaria será a otimização da planta. “Há uma grande possibilidade na melhor utilização da logística, seja pelo terminal portuário, seja pelas outras infraestruturas, para alcançar um mercado maior que o atualmente atingindo pela RLAM”, pontou. O especialista em Desenvolvimento Industrial projeta ainda uma maior flexibilidade na negociação das empresas com o Polo Industrial de Camaçari, já que a Rlam é para a Petrobrás uma das 14 plantas que compõe o seu parque de refino. Para a petroquímica baiana, o produto mais importante dentre os 31 produzidos na refinaria é a nafta petroquímica, que vem sendo substituída pelo gás natural e por nafta importada devido a operação na Landulpho Alves em menor escala.

    Entre os trabalhadores e na classe política, a desestatização da Rlam foi recebida por críticas e protestos. Na terça-feira, o líder do governo na Assembleia Legislativa, Rosemberg Pinto (PT), fez  discurso se opondo à venda. Nesta quarta, os trabalhadores vinculados ao Sindicato dos Petroleiros da Bahia realizaram uma manifestação contra a privatização. Uma das preocupações da entidade é com o desemprego dos trabalhadores terceirizados.