Grandes empresários brasileiros dizem não querer comprar vacina para funcionários

    Eles dizem que não faz sentido competir com o SUS e passar à frente de grupos prioritários

    Foto: Danilo Magalhães/ PMLF

    Não é intenção de grandes personalidades do empresariado brasileiro adquirir vacinas contra a Covid-19 para imunizar seu quadro de funcionários, passando à frente dos grupos prioritários no âmbito do sistema público.

    “Sou contra. Quem tem que comprar vacina é o Estado. Não pode haver competição”, afirmou o acionista e presidente do conselho de administração da Ultrapar, Pedro Wongtschowsk, segundo a Folha de S.Paulo.

    A posição difere de iniciativas de nomes como o do bolsonarista Luciano Hang e de Carlos Wizard, que defendem a possibilidade de compra de vacinas pelo setor privado para imunizar trabalhadores, doando uma parte para o SUS (Sistema Único de Saúde).

    Wongtschowski, cuja empresa engloba companhias como Posto Ipiranga, Ultragaz e Extrafarma, afirmou que não pretende comprar vacinas. “As pessoas têm que se vacinar sem preferências ou outras prioridades [no setor privado]”, defendeu.

    Opinião semelhante é a do acionista da Klabin, Horácio Lafer Piva, acionista da Klabin. “Sendo uma pandemia, um evento público, eu advogo que ajudemos com insumos e logística, mas não nos envolvamos em compra e aplicação, exceto esta última usando a rede pública e privada para o ato final”, afirma.

    Para ele, não faz sentido a proposta de permitir a compra de vacinas contra a Covid-19 pela iniciativa privada para imunização de funcionários, já que apenas as grandes empresas conseguiriam arcar com essa ação. “E o restaurante fechando, o lojista de shopping, a pequena indústria pendurada para não morrer?”, questiona Piva.

    Em entrevista à Folha, Guilherme Leal, cofundador da Natura e copresidente do conselho de administração da empresa, disse que a compra pelo setor privado é indecente. “Acho um absurdo furar fila porque a empresa é mais ou menos poderosa em relação a outras tantas empresas que não fazem isso. Não faz sentido nenhum”.