Setor hoteleiro espera ocupação de no máximo 40% até o fim de ano

    Para ABIH, reabertura do comércio em Salvador é positiva, mas apenas o primeiro passo; 40 mil já foram demitidos

    Foto: divulgação ABIH-BA

    A reabertura do comércio de shoppings e de rua em Salvador, nesta sexta-feira (24), é vista como positiva para o turismo, mas é apenas um primeiro passo. Com ocupação hoteleira de 4%, a capital baiana deve chegar a dezembro com 30% a 40% de uso dos leitos disponíveis, segundo estima o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-BA), Luciano Lopes.

    “A abertura do comércio é importante. Logicamente, as pessoas não vão viajar para ficar no hotel, mas os bares e restaurantes só abrirão na segunda fase”, destacou o executivo, em conversa com o bahia.ba. Atualmente, 95% dos hoteis estão fechados, gerando uma ocupação média de 4%. Cerca de 40 mil trabalhadores em hotéis foram demitidos, informou o presidente da ABIH.BA.

    O presidente da ABIH antevê que, à medida que o distanciamento social for sendo diminuído, as pessoas tendem a voltar às ruas com desejo maior de buscar o lazer e as viagens. Este é a aposta da campanha “Reserve Seu Sonho e Venha de Lá”, que terá pré-lançamento neste sábado (25). A intenção é estimular a contratação antecipada de hospedagem.

    Para tanto, relatou Lopes, a ABIH aponta como essencial os protocolos de segurança, tanto para o combate ao novo coronavírus como na atração de novos clientes. “Essa é uma variante essencial para gerarmos confiança”, orienta.

    Ferramenta digital

    Luciano Lopes avalia que o setor hoteleiro neste primeiro momento será demandado mais pelo turismo interno, sobretudo dentro do próprio estado. O ritmo do retorno de aeroportos sustenta o diagnóstico. O terminal de Salvador opera com cerca de 20% da capacidade e deve chegar a 60% até o final do ano.

    Ferramenta que cresceu com as pessoas mais tempo em casa, os recursos digitais podem contribuir também na retomada na hotelaria, afirma Luciano Lopes. Para o executivo, as empresas do setor ganharam consciência da importância de ter um bom site e redes sociais. “Tudo isso facilita a comunicação, aproxima os hoteis do cliente. As compras (de hospedagem) serão mais digitais”, conclui.

    Carnaval

    O dirigente defende o adiamento do Carnaval 2021. A festa responde por 13% do faturamento anual do setor hoteleiro, mas o peso da questão sanitária fala mais alto. “Melhor adiar do que cancelar. É muito difícil termos uma vacina até o Carnaval e seria uma irresponsabilidade fazer essa festa sem uma vacina”, pondera Luciano Lopes.

    Nesta sexta-feira, São Paulo comunicou o adiamento do Carnaval.  Lopes sugeriu uma data única entre as cidades mais fortes na festa, até para o setor turístico poder trabalhar melhor a venda dos pacotes. “O melhor seria um período depois do São João, que é uma data que também traz um impacto muito grande”, opinou.