Publicado em 02/11/2016 às 10h00.

S&P rebaixa nota de construtora da Odebrecht

Standard & Poor's reviu a classificação da empreiteira após o impacto das investigações da Lava Jato, que apura corrupção em contratos da Petrobrás

Luís Filipe Veloso
Foto: Agência Brasil/ Marcelo Camargo
Foto: Agência Brasil/ Marcelo Camargo

 

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) rebaixou nesta terça-feira (1º) a nota de crédito da Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) por causa da forte queda do fluxo de caixa e da carteira de obras. Com o envolvimento na Operação Lava Jato, que investiga corrupção em contratos da Petrobrás, a capacidade comercial da empresa e sua competitividade no mercado têm sido postas em xeque.

Para a S&P, mesmo com o caso de corrupção resolvido, há dúvidas quanto ao efeito sobre a reputação da construtora. Um dos fundamentos usados pela agência para rebaixar o rating da empresa foi a redução da carteira de obras de US$ 33 bilhões em 2014 para US$ 22 bilhões em junho deste ano, “em função dos riscos de reputação e das perspectivas econômicas fracas nos principais países onde a empresa opera”.

O portfólio de projetos da construtora está fortemente exposto a economias voláteis que estão atravessando períodos difíceis. Isso deverá prejudicar a geração de fluxo de caixa e a alavancagem da empresa no futuro, diz a S&P. Segundo ela, as operações da Odebrecht em seus principais mercados, como Brasil, Venezuela e Angola, enfrentam forte incerteza sobre o ritmo de crescimento futuro.

Para piorar a situação, a qualidade de crédito dos clientes também tem reflexos negativos no caixa da empresa. Com a demora na liberação de crédito pelos bancos privados e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o início ou a continuidade das obras têm demorado mais e, consequentemente, reduzido o ritmo de entrada de dinheiro no caixa da construtora. Pelos cálculos da agência de classificação de riscos, a receita líquida da Odebrecht Engenharia e Construção deve recuar entre 65% e 70% neste ano. “Vemos a liquidez da OEC como menos que adequada”, diz a agência.



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