EXCLUSIVO

    Afropunk revela bastidores para contratar atrações internacionais

    Empresa responsável pela realização do festival conta com apoio de redes de fãs

    Palco do Afropunk Salvador 2026
    Foto: Marcos Flávio Nascimento/bahia.ba

    A IDW Company, responsável pela realização do Afropunk no Brasil, revelou, com exclusividade ao bahia.ba, detalhes das negociações para montar a programação internacional da edição de 2026.

    Representada pela sócia Ana Amélia Nunes, a empresa destacou os esforços para trazer artistas de outros países à capital baiana e ressaltou a importância de manter o festival na cidade, tanto pela representatividade cultural quanto pelo impacto econômico.

    Neste ano, quatro atrações internacionais integram a programação: Jorja Smith e FLO, do Reino Unido, além de Kelela e Kehlani, dos Estados Unidos. Todas se apresentam pela primeira vez na Bahia.

    Segundo Ana Amélia, a contratação de atrações internacionais envolve desafios financeiros e logísticos, especialmente quando comparada à realização de eventos nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

    “A gente sabe que é muito mais difícil trazer atrações internacionais para cá. É muito mais simples no sudeste, então a gente tá esperando um impacto econômico ainda maior, porque atinge os setores de hotelaria, de consumo, de moda, diversos setores da economia”, explicou.

    Pedido de fãs ajudou a levar Kehlani ao Afropunk

    A sócia da IDW Company também revelou que a escolha das atrações leva em consideração os pedidos do público e que existe uma lista de artistas internacionais que o festival pretende trazer ao Brasil.

    “Tem uma lista enorme (de artistas internacionais que o Afropunk tenta trazer). Normalmente a gente ouve muitos pedidos do público. Então, por exemplo, o Kehlani foi muito pedido dos super fãs”, contou ao bahia.ba.

    “A IDW fez um grande movimento com esses super fãs, fez um grupo, ligou para os presidentes dos fã clubes e fez todo um movimento que chegou na artista e a artista falou: ‘ok, eu quero estar lá’”, complementou.

    Apesar das conquistas para a edição deste ano, Ana Amélia afirmou que a organização continua tentando viabilizar a participação de outros grandes nomes da música internacional.

    “A gente vem tentando diversos outros grandes nomes. É sempre uma conta entre pagar altos cachês em dólar, manter o preço acessível, a vantagem do artista e conseguir equilibrar isso. Mas tem uma lista enorme, a gente quer trazer vários”, acrescentou.

    Ana Amélia Nunes, sócia da IDW Company
    Foto: Manuela Meneses/bahia.ba

    Organização explica por que Afropunk permanece em Salvador

    Outro ponto destacado por Ana Amélia foi a decisão de manter o Afropunk em Salvador, além do Rio de Janeiro e Recife. A representante da IDW ressaltou a identidade cultural da capital baiana e a importância de promover oportunidades econômicas para os profissionais locais.

    “Acho que nem preciso explicar (por que o evento é realizado em Salvador), é a cidade mais negra fora de África. A gente tem uma população que merece que esse festival esteja aqui”, afirmou.

    “A gente poderia fazer em qualquer outro lugar do país por alguma outra facilidade econômica, por exemplo, fazer no sudeste. Mas foi uma escolha nossa de manter aqui, de mudar esse mercado, de trazer o poder econômico para os profissionais daqui, fazer essa economia girar em Salvador”, acrescentou.

    Afropunk projeta impacto econômico ainda maior em 2026

    A expectativa da organização também envolve superar o impacto econômico registrado na edição anterior. Segundo Ana Amélia, o festival movimentou R$ 130 milhões em 2025. Para este ano, a projeção é de crescimento.

    “Ano passado a gente chegou a atingir 130 milhões de impacto econômico, então como esse ano está maior, a gente teve uma procura maior do público e a gente tem quatro atrações internacionais que já é um aumento também”, concluiu.

    Realizado nos dias 7 e 8 de novembro, o AFROPUNK Brasil é considerado o maior festival de cultura negra do mundo. O evento celebra a cultura afro por meio da música, arte, moda e gastronomia, reunindo diferentes estilos e públicos na capital baiana.