Publicado em 12/06/2026 às 16h39.

Haiti altera uniforme para a Copa após exigência da Fifa

Referências à marcos da independência haitiana foram retiradas da camisa da seleção

Juliano Franca
Foto: Jeff Romance

 

A poucos dias da estreia na Copa do Mundo de 2026, a seleção do Haiti precisou modificar seu uniforme após determinação da Fifa, que entendeu que alguns elementos poderiam ser interpretados como conteúdo político. Entre os símbolos retirados estavam referências à Batalha de Vertières, episódio histórico central na luta pela independência do país.

Diante da solicitação, a Federação Haitiana de Futebol encaminhou o pedido de mudança à fornecedora Saeta, responsável pela confecção do uniforme. Representantes da seleção afirmaram que a homenagem tinha caráter histórico e cultural, sem qualquer conotação política. Ainda assim, a federação optou por atender às exigências da Fifa e adaptar o modelo antes do início da competição.

A camisa original trazia detalhes inspirados nos primeiros símbolos nacionais adotados após a independência do Haiti, conquistada em 1804, além de referências a líderes históricos da revolução haitiana. Casos semelhantes já haviam ocorrido anteriormente com símbolos do país em eventos esportivos internacionais.

O que foi a Batalha de Vertières?

 

Batalha de Vertières, 1803, por Ulrick Jean-Pierre (1995)

 

Em 18 de novembro de 1803, as forças haitianas derrotaram o exército de Napoleão, consolidando o fim do domínio colonial francês sobre o país. O confronto, liderado por Jean-Jacques Dessalines e formado majoritariamente por pessoas escravizadas, marcou o desfecho da Revolução Haitiana e abriu caminho para a independência oficial do Haiti em 1º de janeiro de 1804, tornando o país a primeira república negra do mundo moderno.

A vitória foi resultado de uma série de ofensivas decisivas, incluindo o ataque ao Forte Vertières, onde episódios de grande resistência, como a carga liderada por François Capois sob intenso fogo inimigo, entraram para a história. A derrota francesa levou à rendição das tropas e à retirada definitiva da colônia, consolidando um dos movimentos de libertação mais simbólicos da história mundial.

Apesar da relevância histórica, a representação da batalha na camisa foi considerada inadequada pela Fifa.

Integrante do Grupo C, o Haiti estreia neste sábado (13) contra a Escócia. Na sequência, enfrenta o Brasil no dia 19 e encerra sua participação na fase de grupos diante de Marrocos, em 24 de junho.

Juliano Franca
Graduando em jornalismo pela UFBA e estagiário do Bahia.BA. Feirense, fundador da Fute em Foco, crítico de cinema pelo Cine.Italo, cofundador do Daft.Cult e membro da Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA e da Liga de Cinema e Audiovisual. Fã da Hayley Williams.

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